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Mostrando postagens com o rótulo Economia

Greve dos caminhoneiros: algumas coisas pra você pensar antes de sair falando groselhas por aí

O Brasil é importador líquido de combustíveis, ou seja, compra mais combustíveis de fora que vende. Dessa forma, fica sujeito às variações de preços no mercado internacional, e também à variação cambial. Ah, mas por que não se investiu em mais infraestrutura e refinarias ? Perguntem isso todos os governos anteriores: da ditadura militar, Itamar, Collor, FHC, Lula e Dilma. Todos são responsáveis. A matriz de transporte brasileira deveria ser baseada mais nas ferrovias e hidrovias. Sim, vide item acima, e coloque o JK na conta também. A curto e médio prazo, infelizmente, nada pode ser feito. Nos governos petistas, ordenou-se que a Petrobras não repassasse esses valores de variação global de preços. Isso, mais a roubalheira do petrolão, transformou a Petrobras na maior devedora do mundo. Então o Temer é um pobre coitado, que está só herdando a bagunça do PT? Não, o Temer era vice da Dilma, e o MDB sempre esteve no governo, aliás eles vivem disso, Logo, o cara tá enfiado até o pes...

O efeito manada e os bitcoins

Abre parênteses. Bitcoins, o que são ?  Um belo dia, alguém resolveu que seria bacana criar uma nova moeda. Virtual, não teria papel. Não seria vinculada a nenhum país ou economia. E só seria aceita em transações virtuais. Surgia o bitcoin. E a sacada genial foi a escassez. A oferta de moeda seria limitada... quem comprou, comprou ... quem não, teria que comprar de alguém que já a tivesse. E qual a diferença das transações feitas em bitcoins contra as feitas em moedas convencionais? Bem, bitcoins não precisam ter os donos identificados. Pode-se imaginar quantos fins, lícitos e ilícitos, poderiam se beneficiar desse anonimato. Demanda alta, oferta restrita. A tendência seria a cotação da moeda ir subindo tanto quanto a necessidade de fazer uma compra virtual, escondido ou não,  aumentar. E subiu, vem subindo aliás... Mas será que não subiu demais? Fecha parênteses. Ricardo conhece muita gente. Os melhores amigos do Ricardo são o João, a Maria, o Adão e...

Aumento no imposto da gasolina é igual à chuveirinho na área

Peter Crouch, o grandalhão inglês Existe um conceito em Economia denominado Curva de Lafer, que diz basicamente o seguinte: há um percentual de tributos que maximiza a arrecadação do governo. Após esse ponto máximo, a arrecadação com impostos começa a cair, seja porque a tributação excessiva faça com que se gere menos renda, ou seja simplesmente porque o pessoal começa a sonegar impostos mesmo. O gráfico fica mais ou menos assim: O ponto t2 é o ponto máximo, acima disso, qualquer aumento de impostos do governo leva, a médio ou longo prazo, à diminuição da arrecadação. A recente palhaçada do governo de aumentar os impostos sobre a gasolina, fazendo com que seu preço chegue a aumentar em 50 centavos por litro, parece aquela situação em que o time está perdendo nos minutos finais, e o técnico mete um centroavante gigantão na área e manda o pessoal caprichar nos chuveirinhos pra dentro da área. Uma medida de puro desespero. Já passamos do t2 faz tempo. Mexem na gasoli...

Tipos de inflação, e como combatê-los (pelo menos, na teoria)

Define-se inflação como o aumento generalizado de preços de uma economia. Como não se pode medir o preço de todos os produtos e serviços em circulação, é escolhida uma cesta de represente da melhor forma possível o conjunto de bens adquiridos por uma parcela de população. No Brasil, os dois indicadores mais comuns para medir a inflação são o IPCA e o IGPM, O IPCA é divulgado pelo IBGE, e considera os preços de varejo para bens e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Já o IGPM considera também produtos no atacado e indicadores da construção civil, sendo divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. Mas por que os preços sobem? Existem vários componentes que podem causar aumento da inflação, cada um exigindo um tipo diferente de política econômica para combatê-lo. Desequilíbrio fiscal: termo muito comum hoje em dia, e provavelmente a causa da atual inflação acima da meta que vivemos. Bem fácil de entender, o governo gasta mais do que arrecada, e p...

FMI prevê PIB de -3,5%. E daí ?

Em 19/01, o FMI reviu a expectativa do PIB de vários países, inclusive do Brasil. E a nova previsão foi que nosso país teria uma retração de 3.5%. Como comparação, no boletim Focus, que traz a mediana das previsões de agentes de mercado nacionais, consta a previsão de uma retração de 3%. O que isso quer dizer? Além do fato que a economia brasileira continuará vivendo uma fase de desaceleração, o que até a tia que vende coxinhas no boteco da esquina já está sabendo, não muito. Em artigo de seu blog , meu colega de faculdade Luciano Sobral mostrou que tanto o FMI quanto o Boletim Focus erram, e bastante. De fato, para o ano de 2015, a previsão do mercado para o PIB um ano antes era de 0,55%, sendo que o valor observado foi uma retração de -3.77%, um erro absoluto de 4.32 pontos percentuais. Se as previsões, tanto do PIB quanto de qualquer outro assunto econômico, são tão imprecisas, por que todos as escutam? A resposta pode estar na neurociência: nosso cérebro adora uma históri...

Na Economia, como na vida, o que contam são as aparências

Foi notícia desta semana, o Banco Central manteve a taxa de juros anual em 14,25%. A manutenção da taxa por si só não seria ruim, dado que poderia ter sido justificada como uma tentativa de não deprimir ainda mais o "crescimento" econômico, apesar da inflação alta. Se tivesse sido uma decisão do tipo: "Ok, vamos manter os juros, mas vamos apertar as contas da União, de forma a estimular um pouco o crescimento e ao mesmo tempo combater a inflação", talvez os agentes econômicos não tivessem reagido como fizeram. O problema foi a "justificativa" dada, que foi a que a taxa estaria sido mantida por conta do relatório do FMI, que apontava uma previsão de queda no PIB brasileiro de 3,5% para o próximo ano. Difícil acreditar que se decida pela manutenção da taxa de juros baseado-se numa previsão do FMI divulgada dias antes. O que passou para o mercado é que houve influência do Planalto nas decisões do Banco Central, um órgão teoricamente independente para a...

Afinal de contas, quanto deveria valer um dólar?

Alerta de spoiler : o objetivo deste modesto texto não é e nunca seria defender a política econômica do governo, mesmo porque nem existe uma a rigor. Tempos atrás, quando o dólar estava na casa dos 2 reais, e houve aquela avalanche de brasileiros indo fazer umas comprinhas em Miami, setores da economia, principalmente o setor industrial, reclamava do tal câmbio sobrevalorizado, e que isso acabaria com a indústria nacional, pois os produtos importados estavam tão baratos que deixavam a ineficiente indústria local em apuros para concorrer com as mercadorias Made in China. Inclusive, quando começaram a aparecer as reservas de petróleo no pré-sal, época de barril a 100 dólares, imaginava-se que haveria uma enxurrada de dinheiro vindo pra cá, e que o Brasil-sil-sil iria nadar na grana do petróleo exportado. Aposto que o povo do PT alocado na Petrobrás estava até lambendo os beiços.  Temia-se inclusive que essa avalanche de dólares iria derrubar ainda mais a cotação da moeda ...

Cultos evangélicos para homossexuais, uma abordagem econômica

Leio que um casal de pastores evangélicos acaba de finalizar a primeira catedral gay do país, onde será respeitada a opção sexual dos crentes, estando aberta a heterossexuais e homossexuais indiscriminadamente. Adoraria acreditar que este é o primeiro passo em direção a uma sociedade onde prevaleça a tolerância, cuja falta só causa violência e morte em todo o mundo. Mas, dado o histórico desse tipo de religião, e de seus representantes no Congresso Nacional, por exemplo, estou mais tentado a crer que trata-se de um clássico exemplo de discriminação de preços. Na teoria econômica clássica, o preço de um dado produto é dado pela intersecção entre a demanda e a oferta, ou seja, o preço que a média dos consumidores quer pagar, e que a média dos produtores quer ofertar. Justamente por ser a média, alguns consumidores estão dispostos a pagar menos que a média, não consumindo o tal produto. Eu um mundo ideal para os produtores, eles saberiam exatamente quanto cada consumidor está di...

Estagflação, o fundo do poço macroeconômico

Inflação. Inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. No Brasil, medida entre outros pelo IPCA, que mede o índice de preços ao consumidor, e pelo IGP-M, que contempla também os preços do atacado. Existem alguns fatores que levam uma economia a uma alta taxa de inflação: Déficit fiscal, ou seja, o governo gasta mais do que arrecada e essa diferença é bancada por emissão de dinheiro. Mais dinheiro circulando gera mais gente querendo comprar a mesma quantidade de bens, logo os bens aumentam de preço; Inflação inercial: se existem contratos ou acordos indexados à taxa de inflação, todo mundo já se prepara para o aumento que virá, subindo preventivamente seus preços. Por exemplo, se você é um industrial que sabe que a energia elétrica vai subir, que os salários de seus operários vão subir, então você já se prepara aumentando seus preços, o que por seu lado vai gerar mais inflação, aumentando ainda mais salários e tarifas.... Surge um círculo sem fim; Excesso de de...

Lucas, churrascaria e o confisco da poupança

Por incrível que pareça, diálogo real... - Pai, e se a gente tivesse um zilhão de reais? - Aí a gente ia ter tanto dinheiro que não ia precisar mais trabalhar. - Nunca mais? - Nunca... mas você ia ter que continuar indo pra escola! - Que droga! - Picanha Sr?  - Pai. e se todo mundo tivesse um zilhão de reais? - Lucas, come sua cupim! - Fala pai ! - Se todo mundo tivesse um zilhão, tudo ia ficar muito caro, porque ia ter muito dinheiro circulando, e todo mundo ia querer comprar um monte de coisas. Como não ia dar tempo de produzir tanto em tão pouco tempo, os preços iam aumentar muito. Uma água ia custar um milhão de reais, o dinheiro não ia valer quase nada... O Governo ia cortar zeros da moeda, ia mudar de nome,  não ia mais chamar Real. - Como ia chamar, pai? - Sei lá, Zilhal? -  Aahaha... Você viu Paulo, a moeda ia se chamar zilhal ! - Sr. , aceita uma mussarela?  - Sim, por favor.... - Pai, e se todo mundo tivesse só mil reai...

O Big Mac mais caro do mundo é nosso!

Um dos conceitos mais interessantes de Economia é a Paridade do Poder de Compra (PPP, a sigla em inglês). Ela compara quanto determinada quantidade de dinheiro consegue comprar, em relação a outro país. Ou seja, se houvesse paridade do poder de compra entre, digamos, o Brasil e os Estados Unidos, um dólar lá deveria comprar a mesma quantidade de bens que um dólar aqui. É uma interessante medida para verificar se uma dada moeda está sobrevalorizada ou não. Além disso, é bacana para ver como seria sua vida morando e trabalhando em outro país. Por exemplo, se o fulano ganha R$10.000,00 aqui, se ele fosse morar nos EUA, para manter o mesmo salário teria que ganhar US$ 5.000,00, supondo uma cotação de US$ 1,00 = R$ 2,00. Certo? Se houvesse a tal paridade, sim, mas raramente isso acontece, uma moeda quase sempre está sub ou supervalorizada em relação a outra. Para calcular a PPP, várias cestas de mercadorias, serviços e etc. já foram utilizadas, mas surpreendentemente a medida mais ...

Preço da gasolina sobe e ações caem. Como assim?

Foi notícia desde ontem nos telejornais, Internet, TV. O preço da gasolina, depois de muito tempo sem ajustes, subiu. E hoje, na abertura da bolsa de valores, as ações da PETROBRAS despencaram. Como interpretar esse movimento? Primeiramente, deve-se entender de que se compõe o preço de uma ação negociada em bolsa.  Uma ação é uma parcela da empresa, e dessa forma o portador da mesma recebe dividendos e outros proventos financeiros de acordo com o lucro da empresa. Ou seja, se o lucro aumenta, tem mais dinheiro para ser distribuído entre os donos das ações. Dessa forma, o preço de uma ação,   teoricamente,   deve ser igual à expectativa de recebimento da distribuição de lucros ao longo do tempo. Exemplificando, se para uma dada empresa a expectativa é de se receber um real para cada ação pelos próximos dez anos, e que a taxa de juros da economia seja de 10% ao ano, o preço da mesma seria: P = R$ 1,00 (primeiro ano) + R$ 0,90 (daqui a um ano um real vale...

Incentivos: Ajudando a entender o mundo e a criar seus filhos

Se eu fosse professor de Introdução à Economia em qualquer faculdade, com certeza daria uma aula inaugural falando somente sobre incentivos. Se é verdade que, como diria a música, Money Makes the World Go Round, e eu particularmente acredito piamente nisso, o dinheiro nada mais é que e expressão física dos incentivos. Voltando à minha aula inaugural, eu tentaria explicar que para tudo, na economia, na política ou até mesmo na vida deve se perguntar: o que fulano ou siclano ganha fazendo isso? Quais os incentivos para adotar determinada política? Se o objetivo é entender o que acontece ao redor, essa pergunta deve estar sempre em mente. Em um livro bastante interessante chamado Why Nations Fail, o autor argumenta que, o que torna um país rico ou pobre não é sua localização geográfica, seus recursos naturais, sua religião. O que faz com que uma nação seja próspera são os incentivos que seus habitantes tem para enriquecer, as instituições públicas que garantem seus direitos. Uma naç...

Por que não existem bancos na França

John Law ... esse é o nome do cara, um dos mais perspicazes economistas da História. Nascido na Escócia, em 1671, era exímio jogador, dominando como poucos a arte de cálculo das probabilidades. Desde pequeno foi educado na arte das finanças, assumindo os negócios de seu pai com apenas 14 anos. Mas largou tudo para ir para Londres, ganhar uma verdadeira fortuna no jogo, e para perseguir seu segundo vício, as mulheres. E foi em Londres que se envolveu em um duelo por uma bela donzela, ou nem tanto. Matou seu oponente, mas teve que fugir para a França, acusado de assassinato. Na França, encontrou um país estagnado, com escassez de moeda e de trocas comerciais. E teve a oportunidade de colocar em prática seu famoso Sistema. Segundo Law, o dinheiro em si não constituia riqueza, e era um mero modo de troca. Por conta desse ideia, e por sua amizade com Felipe, o regente na época, assumiu as dívidas da França e começou um banco, que emitia papel com valor de dinheiro, em troca da confi...

Top Sundae: onde a Neurociência encontra a Economia

Nossos antepassados passavam por maus bocados para conseguir o que comer. Vivendo lá nas cavernas, sair pra caçar era sempre uma aventura de onde nem sempre se voltava com vida, e não havia lá muitos vegetais para serem colhidos. Nesse contexto, quando se conseguia caçar um apetitoso e gordurento animal, a estratégia era comer até não poder mais. Os magrinhos que possuíam o gene da saciedade rápida já haviam sido deixados de lado pela seleção natural, não era vantagem comer só um bocadinho, dado que nunca se sabia quando viria a próxima refeição. E como na época não havia freezer, microondas e muito menos tupperware, o esquema era comer, comer e comer. Nosso cérebro mandava o sinal: "Comam mais!", e o corpo guardava o excesso na forma de gordura, pros tempos ruins que poderiam vir. E dessa forma, evoluímos. As eras foram passando, a alimentação deixou de ser tão crítica. Mas nosso cérebro continuo assim, mandando comermos mais e mais gordura. Quando o McDonald...

Estimativas do PIB, previsão do tempo e os tocos que você leva na balada.

  Como diriam os americanos, first things first : Economia é uma ciência humana, e como tal, não existem fórmulas mágicas onde é só colocar alguns dados que sairão de lá, bonitinhos, quanto vai ser a taxa de juros no final do ano, quanto vai crescer o PIB, ou qual será o desemprego. Economistas, esses seres tão bons em explicar o que já aconteceu, usam modelos para tentar prever essas variáveis. E modelos tentam capturar a realidade,  usando o máximo de variáveis que se possam medir. Mas, como a Economia depende dos homens e de suas decisões políticas ou não, e como nós homens somos tudo menos racionais na hora de tomar decisões, tudo pode acontecer, como diria o clichê. Um resfriado do presidente da China, um tropicão do Obama jogando basquete, e pronto, já despencam as bolsas, sobe o dólar, essas coisas todas. Quando se prevê o PIB do fim do ano, por exemplo, só saber-se-á (olha a mesóclise rs) se o modelo está bom ou não no final do ano, e ajustes no modelo utilizado...

Quanto vale seu cafezinho?

O preço de um bem em um mercado competitivo é dado pela famosa lei da oferta e procura. Dado que um mercado competitivo é, a grosso modo, aquele onde existem tantos fornecedores quanto houver interesse, e onde não haja barreiras para a entrada de novos fornecedores, o preço será o ponto de encontro entre quanto os consumidores estejam dispostos a pagar e a quanto os fornecedores estejam dispostos a vender. Exemplificando: se fosse possível fazer uma pesquisa entre mil amantes de um cafezinho pós-almoço, perguntando quanto eles estão dispostos a pagar por um café, poderia-se  ter um resultado mais ou menos assim: 100 pessoas pagariam no máximo R$ 0,50; 200 pessoas pagariam no máximo R$ 1,00; 400 pessoas pagariam no máximo R$ 1,50; 100 pessoas pagariam no máximo R$ 2,00 e outras 200 pagariam no máximo R$ 3,00. Em raciocínio análogo, faria-se uma pesquisa para saber quantas unidades de cafezinho um boteco estaria disposto a vender se o preço fosse R$ 0,50; R$ 1,00 e assim por ...

Gerenciando projetos

Um verdadeiro exemplo de como gerenciar bem um projeto e o dinheiro público como um todo. Na construção do gasoduto que une Caraguatatuba a Taubaté, foi necessária a escavação de um túnel de 5km para transpor a serra do Mar.  Para tanto, foi trazida em regime de comodato um máquina da Itália que escavaria o túnel de 5 km. Acabado o trabalho, perceberam que teriam que remover a tal máquina, e esse fato tão inesperado (????) atrasaria o projeto em alguns meses. Solução? É óbvio: compraram a máquina para módica bagatela de R$ 51 milhões, cavaram mais um tunelzinho e enterraram a tal máquina.  Sensacional!