Admiro quem se recusa a cair, quem apanha da vida, não que isso não seja o esperado, se levanta, reclama um pouco às vezes, e segue em frente, sabe que as coisas são assim mesmo, e não vai desistir tão fácil. Vai insistir até conseguir fazer, ou perceber que não dava, mas vai dormir sabendo que deixou tudo na mesa (e perder o sono pensando como fazer dar da próxima). Pra não pesar a mão, um exemplo esportivo: o infeliz tá lá, perdendo de dez gols, e se joga na bola como se estivesse zero a zero, vai tentar virar o jogo até acabar o tempo.
Quase como continuação, admiro quem faz o que precisa ser feito... arrumar mais um emprego pra dar o melhor pra família, sacrificar suas próprias vontades e tempo pra cuidar da casa. Pensa menos, arruma menos desculpas, e age, mesmo que tenha que fazer tudo de novo, e de novo.
Admiro quem é ponta firme com quem se importa, seja família, amigos. Qualquer coisa que você precise ele está lá.... precisa ir ao médico às 3:00 da manhã? Bora... Tá com um BO gigante? Vamos pensar e resolver juntos, ou pelo menos tentar minimizar o prejuízo. Não tem o que fazer, e só precisa desabafar? Ou ficar em silêncio com alguém? Lá está ele.
Admiro quem é foda de verdade, e não precisa fazer auto propaganda. Não fala bem de seus feitos, os outros já falam isso dele. Caras foda assim nunca ridicularizam quem não é, mas está tentando, eles sabem o valor do processo, mas sabem colocar os não foda mas aparecidos em seu devido lugar. O que me leva a outro tipo de pessoa que admiro, quem sabe que nem tudo se resolve na conversa, que tem gente má no mundo, e que às vezes um pouco de auto imposição, digamos assim, é necessária. Que se vinga quando precisa, ao estilo Velho Testamento.
Admiro gente low profile, aquele cara que tá lá no meio de todo mundo, como se nada o afetasse, como se ele se bastasse, ou ele e suas companhias no momento. É aquela pessoa que está almoçando com a família, satisfeito, como se não tivesse ninguém ao redor que importasse. Aquele colega do trabalho que vai almoçar sozinho, talvez lendo um livro, enquanto os outros vão em bando, pra falar mal dos chefes, e do esquisitão que não se mistura. O cara que tá na academia, treinando, sem fones, sem olhar pra ninguém, com a roupa que estava em casa, puxando mais peso que todos. Aquele aluno do fim da sala que é gente boa, mas não paquera ninguém, e talvez por isso mesmo atraia a atenção de todos.
E admiro pontas com recurso! O infeliz pula lá do zero, sem ângulo, vai parar quase na linha de 7m, e ainda assim mete uma rosqueta que bate no meio da área e vai parar no cantinho do gol, com o goleiro desesperado tentando ir atrás. Lindo demais.

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