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Mostrando postagens com o rótulo Terror

Meta Pesadelo

Metalinguagem - utilização de uma determinada linguagem para falar dela própria. Talvez tenha sido baseado em fatos reais. Sonhou que não estava conseguindo dormir. De fato não estava conseguindo mesmo, e talvez depois tenha adormecido,  realidade e sonho se misturando, a linha que as separam pode ser muito tênue. Milhões de pensamentos passavam freneticamente por sua cabeça, Pensamentos e faces .... faces e vozes... chamando, apontando o dedo, rindo. Não um riso amigável, gentil. Riso nervoso, mãos passando em seu rosto, segurando, mostrando para onde ele deveria olhar. Sentia que alguém estava lá, talvez espreitando pela porta, mas não tinha coragem de olhar. Resolveu andar pela casa, procurar algo ou alguém. Completamente escuro, um breu como em noites sem lua. Foi à área de serviço, se enroscou nas roupas penduradas, sentia algo apertando-lhe o peito, sufocando, como se alguém o estivesse segurando. Tentou se desvencilhar, gritar por socorro, mas não conseguia. ...

O rosto no escuro

Insônia. Mais uma vez, você, não me deixando dormir, atormentando minhas noites. Alguns diriam que é o stress, as agruras do trabalho e do dia a dia, as preocupações com os filhos. O médico recomendou um psicólogo, e uns calmantes para ajudar a relaxar. O psicólogo disse que eu preciso de ansiolíticos, e de algumas sessões de terapia. Mal sabem eles que a razão de minha falta de sono é você. Sim, você voltando a me assombrar, a silhueta de seu rosto no escuro. Não diz nada, não pede nada, só aparece.  Parece que espera que eu adormeça um pouco mais profundamente para dar as caras. Me assusto, abro os olhos, e nada. Você mora mesmo em meus pesadelos. Pergunto o que queres, se me deseja bem ou mal. Mas não respondes, apenas fica lá, olhando, sem eu poder ver seus olhos.  Quando vai me deixar em paz? Nevermore, zomba de mim como o corvo de Allan Poe. No fundo, meu maior medo é saber que você não vem de fora, que na verdade está dentro de mim.

Não tenho medo do escuro, mas ...

Não tenho medo do escuro, mas os sons da noite me apavoram. Os móveis estalam, na rua alguns gritam, os vizinhos andam no andar de cima, no apartamento ao lado. Às vezes os passos parecem estar vindo do meu corredor, da cozinha, da varanda. Levanto-me, dou uma olhada na casa toda, mas nunca vejo nada nem ninguém. Deve ser minha imaginação. Não tenho medo do escuro, mas me incomoda achar que tem alguém mexendo na maçaneta da porta. Tão real... Escuto a mesma rangendo, como se alguém estivesse querendo abri-la por fora, ou tentando forçar as janelas. Corro em desespero, pego a maior e mais afiada faca da cozinha imaginando surpreender o bandido que tenta entrar, mas nunca entrou ninguém. Deve ser a tal imaginação. Não temo o escuro. Mas o que me incomoda é aquela luz da área de serviço, que eu tinha certeza de ter deixado apagada, e teima em estar acesa. Ou vice-versa. Devo estar ficando gagá, penso. Apago a luz, e volto pra cama. De vez em quando ela fica como a deixei. Em...

The Raven - Never more!

Meu texto de terror predileto: Edgar Allan Poe The Raven [First published in 1845] Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary, Over many a quaint and curious volume of forgotten lore, While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping, As of some one gently rapping, rapping at my chamber door. `'Tis some visitor,' I muttered, `tapping at my chamber door - Only this, and nothing more.' Ah, distinctly I remember it was in the bleak December, And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor. Eagerly I wished the morrow; - vainly I had sought to borrow From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore - For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore - Nameless here for evermore. And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before; So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating `'Tis some visitor entreating...

Bedtime story 2

Se existia alguma brincadeira proibida na infância dele, era falar que o fulano morto ia voltar para puxar o pé enquanto estava dormindo. Era falar isso que os pais ficavam loucos, mandavam parar na hora, isso não era coisa que se falasse, era preciso deixar os mortos descansar em paz. Os pesadelos começaram de uma hora para outra. Era sonho recorrente, em noite de trovoadas. Sentia algo peludo encostando seus pés descobertos, primeiro como um carinho, depois um puxão. Gritava mas não conseguia acordar. Filho único que era, não tinha irmãos mais velhos pra acudir. O sofrimento só acabava com a chegada dos pais. Explicavam que não era nada, apenas o cobertor felpudo, podia voltar a dormir tranquilo. Acendiam as luzes, olhavam debaixo da cama, atrás das cortinas. Na dúvida, dormia com os pais em noites chuvosas. Naquele ano mudaram de lar, deixaram a casa velha, herança dos avôs, e foram morar em uma casa novinha, recém-construída. E deram um cachorro de presente pro filho, um Ak...

Bedtime story

Tinha passado a manhã assistindo os monstros invadirem Toquio, e serem mortos pelo Ultraman no final. Depois do almoço, a mãe o mandou fazer a siesta, normal para uma criança de quatro anos. Deitou, quarto meio escuro. As marteladas na casa que estava sendo reformada ao lado incomodavam. Tum, tum, tum. De repente, um pensamento .... e se as marteladas fossem na verdade os passos de um monstro, chegando em sua casa?  Tum, tum, tum.... o barulho ia ficando mais alto. Com certeza, o monstro estava chegando perto, gigante, pisando em casas no caminho. Iria chegar, pegá-lo pela janela, não teria chances. Quis levantar e travar a janela, mas não teve coragem. Imóvel, ouvia as passadas cada vez mais altas.... tum, tum, tum .... sirenes na rua, devem ser os bombeiros indo socorrer as vítimas. Uma criança começa a chorar do outro lado da rua estreita e pacata. Era isso, o monstro tinha chegado. Num ato de puro heroísmo, saiu da cama e desceu correndo pelas escadas.... Escadas i...