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Masters... ou porque homens nunca crescem

Esporte está na minha vida desde... bem, desde que minha vida é vida. Futebol, basquete, vôlei, handebol, tênis, ping pong, bicicleta, "atletismo", taco. Taco é esporte? O gosto pelo handebol foi muito mais um golpe do acaso que qualquer outra coisa. Na prática, tinha menos gente jogando handebol que futebol na minha primeira faculdade, então foi pra lá que eu fui. Calhou de eu ter que escolher uma modalidade para contar como créditos na disciplina de Educação Física, de eu ter dado sorte de ter pego o mestre Arcílio como professor. Não foi habilidade, nem aptidão, nem nada disso. Puro acaso. E foi de acaso em acaso que fui conhecendo cidades, pessoas, amigos de uniformes iguais e diferentes. Amigos de minha segunda faculdade, com quem divido a quadra até hoje. E foi nessas de dividir a quadra que outro dia teve o Brazil Master Cup. Campeonato Brasileiro de Handebol Master. Sim, falo de boca cheia: CAM-PE-O-NA-TO BRA-SI-LEI-RO. Gente de todo o país, de todas as idad...

O efeito manada e os bitcoins

Abre parênteses. Bitcoins, o que são ?  Um belo dia, alguém resolveu que seria bacana criar uma nova moeda. Virtual, não teria papel. Não seria vinculada a nenhum país ou economia. E só seria aceita em transações virtuais. Surgia o bitcoin. E a sacada genial foi a escassez. A oferta de moeda seria limitada... quem comprou, comprou ... quem não, teria que comprar de alguém que já a tivesse. E qual a diferença das transações feitas em bitcoins contra as feitas em moedas convencionais? Bem, bitcoins não precisam ter os donos identificados. Pode-se imaginar quantos fins, lícitos e ilícitos, poderiam se beneficiar desse anonimato. Demanda alta, oferta restrita. A tendência seria a cotação da moeda ir subindo tanto quanto a necessidade de fazer uma compra virtual, escondido ou não,  aumentar. E subiu, vem subindo aliás... Mas será que não subiu demais? Fecha parênteses. Ricardo conhece muita gente. Os melhores amigos do Ricardo são o João, a Maria, o Adão e...

O dia que resolveu se vingar da Vida

Prostrado no sofá da sala, havia prometido a si mesmo não mais sair de lá. Assistiria todas as séries do Netflix, todos os filmes e documentários. Dormiria por lá mesmo, banho apenas eventualmente, tirar o pijama apenas quando não fosse possível receber em casa o que necessitasse para sobreviver. Bendita internet e seus aplicativos de celular. Havia lido a respeito de uma doença que só existia na Suécia, crianças que aparentemente haviam desistido de viver. Será que era isso que tinha acontecido com ele? Desistido?  Dinheiro, não precisava mais. Tinha ganho um tanto, e guardado um pouco. Mais outro bocado de herança de seus pais, que já não estavam mais neste plano. Se pelo menos eles ainda estivessem, diriam-lhe o que fazer. Eles sempre disseram. O Homem lembrou-se de como era impetuoso, insistente, Não deixava nada pra lá, não desistia fácil. Metia-se em encrencas por conta de seus ideais. Como eram tolos seus ideais. Mas os perseguia, implacavelmente. Perdeu as contas ...

Pedir intervenção militar é coisa de criança mimada

A mãe pergunta para o filho o que ele quer comer, bife ou frango... O filho responde que tanto faz, e depois reclama do que recebeu. O aniversariante do mês da firma tem o direito de escolher o sabor do bolo, mas só resmunga e não escolhe nada. E depois fica reclamando que o bolo estava muito seco, com pouco recheio, ou que é alérgico a nozes. A namorada pergunta para o pombinho que filme ele quer assistir, mas ele está com muita preguiça de pensar. Ela escolhe um documentário, e o cara fica emburrado porque não é um filme de ação. Defender a intervenção militar é mais ou menos a mesma coisa. É mais fácil abrir mão de escolher, de votar, porque afinal de contas são todos iguais, não é mesmo? Que venha alguém escolher por nós. Mas também é ingênuo, de um modo perigoso, pois militares continuarão roubando, defendendo interesses próprios, fazendo alianças escusas.  Com uma sutil diferença... Se você não gostar do sabor do bolo, você não vai poder ficar comen...

Arte, liberdade de expressão e o homem pelado

Certa vez fui a um espetáculo de teatro, no Centro Cultural, aqui em São Paulo. Comecei a desconfiar  que algo não ia bem quando descobri que seria uma peça interativa, e que a sala tinha só 20 lugares. Ao entrar, tinha um cara de uns dois metros de altura, com físico de Rambo e só de sunga, ou seria uma tanga, sei lá, comendo biscoitos e cuspindo pedaços em quem entrava. Pensei comigo, que bosta, onde fui me meter. Mas eu já era bem grandinho, fui por conta própria, paguei até... Arte? Pode ser ... mesmo porque, discutir o que é ou não arte é a mesma coisa que tentar converter um fanático religioso, ou político. A questão aqui não é saber o que é arte... É defender a liberdade de expressão. E para poder expressar-me de forma livre, permitir-me-ei usar alguns palavrões neste texto. E mesóclises. Todo escrito fica melhor com mesóclises, assim como todo aparelho eletrônico fica melhor com bluetooth. São fatos, não argumentos. Artistas deveriam poder expor seus trabalhos, se...

Ser criança é mágico... literalmente

Ser criança é tirar o prato da mesa depois de comer, e saber que na próxima refeição ele estará lá novamente, miraculosamente limpo... Não só limpo, cheio de comida, pronta pra ser cortada e saboreada. É dormir na cama dos pais ou no sofá da sala, e ser teleportada para sua própria cama em algum momento da noite.  Acordar (ser acordada) pra ir pra escola e o uniforme estar lá, só precisando vestir. Entrar no carro, cochilar, e acordar na porta.  É se despir antes de tomar banho, colocar no cesto de roupas sujas, e depois um tempo elas aparecerem na gaveta, limpas e perfumadas. Abracadabra !  Não precisar saber que o colégio vence dia 10, junto com o condomínio. Que dia 15 tem o boleto do inglês, dia 20 do cartão de crédito, dia 25 do celular.  É ligar o tablet ou videogame e saber que dá pra jogar com pessoas do mundo todo. E se a internet não estiver funcionando, é só pedir uma força pro pai. É ver um cano de casa estourar, ter que ir dormir na casa d...

E que cada um dê o que é seu para quem quiser

Se o cara gosta de uma mulher, e fica com ela, bom para eles... Se o cara gosta de outro cara, e eles namoram e são felizes, sorte deles também... Se a mulher gosta de outra mulher, ok da mesma forma. Gostam de homens e mulheres, tudo bem, cada um é o que é, que se amem para sempre enquanto dure, como diria Vinicius de Moraes. Se o cidadão termina todas suas frases com "...amém?", e paga seu dízimo, ele que seja fiel a Deus, e respeite quem tem um uma imagem da Virgem Maria em casa. E quem tem ser terço e seu crucifixo, que aceite quem bate tambor e faz oferendas... Que quem vira várias vezes pra Meca não se ache no direito de matar os infiéis. E vice-versa em todos os casos.  Se algum ser humano fica irritado com o amor de outros que são diferentes, e quer tratá-los, então com certeza quem precisa de tratamento é quem sente ódio. Será que o ódio é por se julgar dono da verdade ? Ou por, no fundo, querer amar o tanto que os diferentes amam? Se você sen...