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Masters... ou porque homens nunca crescem


Esporte está na minha vida desde... bem, desde que minha vida é vida. Futebol, basquete, vôlei, handebol, tênis, ping pong, bicicleta, "atletismo", taco. Taco é esporte?
O gosto pelo handebol foi muito mais um golpe do acaso que qualquer outra coisa. Na prática, tinha menos gente jogando handebol que futebol na minha primeira faculdade, então foi pra lá que eu fui. Calhou de eu ter que escolher uma modalidade para contar como créditos na disciplina de Educação Física, de eu ter dado sorte de ter pego o mestre Arcílio como professor. Não foi habilidade, nem aptidão, nem nada disso. Puro acaso.
E foi de acaso em acaso que fui conhecendo cidades, pessoas, amigos de uniformes iguais e diferentes. Amigos de minha segunda faculdade, com quem divido a quadra até hoje.
E foi nessas de dividir a quadra que outro dia teve o Brazil Master Cup. Campeonato Brasileiro de Handebol Master. Sim, falo de boca cheia: CAM-PE-O-NA-TO BRA-SI-LEI-RO. Gente de todo o país, de todas as idades, de todos os pesos e tamanhos de barriga. De todas as cores de cabelo, prevalecendo o branco, ou prata se preferirem.
E foi num dia de competição desses, me trocando na arquibancada como sempre fiz, esperando o jogo anterior acabar para o nosso começar, que tive uma epifania. Sem eruditismo gratuito aqui, roubei o termo "epifania" do filme dos Simpsons, da cena onde o Homer encontra a índia peituda.
Vi três irmãos de quadra, de longa data, encostados na grade da quadra, rindo... E não foi seus corpos que eu vi, e sim seus espíritos, almas, ou seja lá como queiram chamar. E eram iguaizinhas ao primeiro Interusp. só que mais de 15 anos depois.
Aproximei-me, é óbvio, e realmente eles estavam lá, falando as mesmas besteiras que falávamos 15 anos atrás, provavelmente as mesmas besteiras que falávamos no jogo de futebol de nossas ruas.

E senti-me agradecido. Agradecido por ter saúde pra poder continuar correndo atrás da bola. Por ter amigos, do mesmo lado da quadra ou no lado oposto, com quem dividir. Por ter me quebrado só o tanto que podia ser consertado, por ter gente abnegada que se dispõe a organizar o playground para que a criançada se divirta. Por ter gente que me apóia, que acha bacana... por ter gente que dá risada quando eu respondo um "não" àquela famosa pergunta: "Não está na hora de parar com isso?".

Como diz a regra número 32 do filme Zumbilândia: "Enjoy the little things". É bem isso mesmo.



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