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Imaginando... ou o Fantástico Mundo de Bob

Às vezes me pego imaginando.... me imagino um craque do handebol, descoberto na faculdade.... seria convocado para a seleção brasileira, ia jogar as Olimpíadas. Discreto nos primeiros jogos, eu seria decisivo na disputa da medalhe de bronze, e faria o gol derradeiro. Seria entrevistado e apareceria para o Brasil todo, e mostrando com orgulho a camiseta do Cepeusp, agradeceria todos os colegas de USP e em especial o prof. Arcilio. Outras vezes ganho na Megasena. Divido uma parte do dinheiro com meus parentes, e com a outra paro de trabalhar e começo a treinar triatlo. Não contaria pra ninguém a princípio, sairia do trabalho à francesa, dizendo que estou indo trabalhar na empresa de um amigo, ou no exterior. Compro um carro novo, um apartamento maior.... monto um projeto social para ensinar esportes e dar aulas de reforço a crianças carentes. Na natação semanal me imagino um talento nato, que só foi descoberto depois de velho. Medalhas em provas de masters e travessias aquáticas,...

Carregando o país nas costas

Dia desses ouço entrevista no rádio onde o repórter pergunta a Juninho Paulista, ex-jogador de seleção brasileira, como o Neymar deveria estar se sentindo por ter que carregar as esperanças de uma nação inteira nas costas.  Fiquei em dúvida se deveria ficar com mais raiva da idiotice do repórter, ou das talvez milhares de pessoas balançando a cabeça e concordando com o repórter: "É, o Neymar é mesmo nossa única esperança". Que país é esse onde as esperanças de um povo recaem num jogador de futebol, recém contratado a preço de ouro, numa transação cheia de maracutaias onde mais uma vez prevaleceu a porra do jeitinho brasileiro pra neguinho ganhar mais dinheiro passando outros pra trás? O Neymar vai doar parte dessa grana pra educação, cultura, saúde? Vai pegar na mão dos idiotas que levam o futebol muito a sério e explicar pra eles que deveriam mesmo estar estudando e cuidando da família? Sabe quem vai ganhar com o Brasil sendo campeão da tal Copa? As empresas patrocin...

A república do amarelo piscante

Era um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza! Lá havia palmeiras onde cantavam os sabiás, que por sinal eram preguiçosos e ficavam em cima do muro de minha mãe esperando a ração diária de mamões. Muito peculiar a relação desse país com a chuva. Era só chover que os semáforos piscavam suas luzes amarelas em júbilo. Os motoristas de carro colaboravam com a festa, buzinando freneticamente suas buzinas no trânsito. Os trens do metrô também diminuíam o ritmo, quando não paravam, mas acompanhar a celebração. E a população ajudava, jogando seu lixo na rua, entupindo os bueiros, e transformando as cidades em verdadeiras Venezas. Lindo de se ver. Muito pacato esse povo, diga-se de passagem. Pagavam os tubos em impostos, e nada tinham em troca. Mas mesmo assim pouco reclamavam, e quando o faziam tudo acabava virando festa, tomavam as maiores avenidas como se estivessem em uma rua de lazer, sem saber muito bem o que estavam fazendo lá... E tome escola de ...

Tia Luiza

Durante boa parte de minha infância e adolescência, fazia parte de minha rotina nos finais de semana ir visitar minhas tias  Emilia e Luiza. Na tia Luiza brincávamos com as primas, catávamos jabuticadas, corríamos com os cachorros, ouvíamos histórias de quando meu pai era mais novo. A Tia Emilia tinha um vendinha, e adorávamos ficar mexendo nos sacos de arroz e feijão, e ganhar um doce na hora de ir embora. Com o tempo crescemos, deixamos de ir tanto assim, mas as tias continuavam sempre muito queridas. Nos casamos, tivemos filhos, e nossas primas e tias estavam sempre lá em todas as comemorações.  Há algum tempo a tia Emilia já tinha nos deixado. No final do ano passado, um pouco antes do Natal, a tia Luiza também se foi. Estava hospitalizada há muito tempo já, e com certeza se encheu e resolveu que não ia passar as festas de fim de ano no hospital. Resolveu ir pro Céu, onde deve ter feito a festa com a tia Emilia e os outros irmãos que já estavam por lá.  E...

Sorriso

- Estou chegando, pode descer pra me ajudar? - (Localização compartilhada no Whatsapp) -  Sim, te espero lá embaixo. Desço, te espero sentado sobre o porta-malas do carro. Escuto o portão se abrindo, o carro se aproximando. Assim que faz a curva da rampa, vejo você através dos vidros escuros, e você sorri. Um sorriso sincero. Que imediatamente faz o meu dia melhor, e me faz ter certeza que tudo valeu a pena.

A Defesa Chewbacca

Recém-casados, Adalberto e Narcisa estavam praticamente em lua-de-mel. A esposa chega um dia e o convida para um jantar com seu chefe, e alguns seletos convidados. Ela trabalhava em um grande banco de investimentos, ele era professor de educação física. Titubeou no começo, mas vamos lá vai, tem que dar uma força para a carreira da patroa. O transtorno já começou quando soube que ia ter que ir de camisa e calça social, justo ele que só usava bermudas e camisetas. Mas encarou bravamente, e lá foram pro tal jantar.  O evento era em um duplex gigante no bairro mais caro da cidade. Chegando, o anfitrião deu um caloroso abraço na sua esposa, e praticamente o ignorou.... Pensou: "Começamos bem". Além do chefe e sua respectiva, uma senhora com seus cinquenta e tantos e quilos de botox e silicone, estavam mais dois casais, duas colegas de trabalho com seus maridos. O pré jantar até que foi tranquilo, tirando o chefe que ficava olhando Narcisa com aquela cara de  "How ar...

Lucas, churrascaria e o confisco da poupança

Por incrível que pareça, diálogo real... - Pai, e se a gente tivesse um zilhão de reais? - Aí a gente ia ter tanto dinheiro que não ia precisar mais trabalhar. - Nunca mais? - Nunca... mas você ia ter que continuar indo pra escola! - Que droga! - Picanha Sr?  - Pai. e se todo mundo tivesse um zilhão de reais? - Lucas, come sua cupim! - Fala pai ! - Se todo mundo tivesse um zilhão, tudo ia ficar muito caro, porque ia ter muito dinheiro circulando, e todo mundo ia querer comprar um monte de coisas. Como não ia dar tempo de produzir tanto em tão pouco tempo, os preços iam aumentar muito. Uma água ia custar um milhão de reais, o dinheiro não ia valer quase nada... O Governo ia cortar zeros da moeda, ia mudar de nome,  não ia mais chamar Real. - Como ia chamar, pai? - Sei lá, Zilhal? -  Aahaha... Você viu Paulo, a moeda ia se chamar zilhal ! - Sr. , aceita uma mussarela?  - Sim, por favor.... - Pai, e se todo mundo tivesse só mil reai...