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Imaginando... ou o Fantástico Mundo de Bob


Às vezes me pego imaginando.... me imagino um craque do handebol, descoberto na faculdade.... seria convocado para a seleção brasileira, ia jogar as Olimpíadas. Discreto nos primeiros jogos, eu seria decisivo na disputa da medalhe de bronze, e faria o gol derradeiro. Seria entrevistado e apareceria para o Brasil todo, e mostrando com orgulho a camiseta do Cepeusp, agradeceria todos os colegas de USP e em especial o prof. Arcilio.
Outras vezes ganho na Megasena. Divido uma parte do dinheiro com meus parentes, e com a outra paro de trabalhar e começo a treinar triatlo. Não contaria pra ninguém a princípio, sairia do trabalho à francesa, dizendo que estou indo trabalhar na empresa de um amigo, ou no exterior. Compro um carro novo, um apartamento maior.... monto um projeto social para ensinar esportes e dar aulas de reforço a crianças carentes.
Na natação semanal me imagino um talento nato, que só foi descoberto depois de velho. Medalhas em provas de masters e travessias aquáticas, no pódio aceno para meus filhos que estão orgulhosos assistindo da arquibancada.
Imagino que a vida poderia ser um videogame: antes de cada decisão difícil a ser tomada, eu salvaria o jogo com outro nome, em caso de dar alguma besteira. Ou aproveitaria mesmo pra fazer molecagens, xingaria aquele chefe mala, e depois voltaria o jogo da vida de onde parei.
Jogo novamente a minha última final de Interusp. Imagino um primeiro tempo discreto, a bronca do prof. Veras, e um segundo tempo primoroso, me despedindo das quadras com mais um título comemorado com meus amigos de FEA.
Sou um cantor talentoso, que junto com outros amigos e também talentosos músicos nos apresentamos fazendo covers de praticamente qualquer música que exista. Tocamos em lugares pequenos, uma música em homenagem a uma pessoa da platéia, de calça rasgada e etiqueta charmosamente pra fora da camiseta, que só ela sabe que é pra ela. Nothing else matters. Sou descoberto por uma grande gravadora, vou para uma banda famosa e fico rico, mas sempre que volto à cidade toco com os amigos em um show escondido e exclusivo.
No colegial, seria um Ferris Bueller. Querido por todas as tribos, bom em tudo que fazia... Todas as menininhas de olho em mim,  seria bacana com todas mas com aquele ar low profile só pra deixar claro que eu era muito legal, mas não estava dando bola pra ninguém.




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