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A república do amarelo piscante


Era um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza! Lá havia palmeiras onde cantavam os sabiás, que por sinal eram preguiçosos e ficavam em cima do muro de minha mãe esperando a ração diária de mamões.
Muito peculiar a relação desse país com a chuva. Era só chover que os semáforos piscavam suas luzes amarelas em júbilo. Os motoristas de carro colaboravam com a festa, buzinando freneticamente suas buzinas no trânsito. Os trens do metrô também diminuíam o ritmo, quando não paravam, mas acompanhar a celebração. E a população ajudava, jogando seu lixo na rua, entupindo os bueiros, e transformando as cidades em verdadeiras Venezas. Lindo de se ver.
Muito pacato esse povo, diga-se de passagem. Pagavam os tubos em impostos, e nada tinham em troca. Mas mesmo assim pouco reclamavam, e quando o faziam tudo acabava virando festa, tomavam as maiores avenidas como se estivessem em uma rua de lazer, sem saber muito bem o que estavam fazendo lá... E tome escola de samba animando o pessoal.
Interessante era que alguns acharam aquilo tudo muito pacífico, e resolveram dar um dinheirinho pra uns baderneiros quebrarem algumas coisas, colocar fogo em fusquinhas, apedrejar fachadas de bancos, também sem saber muito bem porque. E parte da mídia aplaudiu, argumentou que uma revolução não se fazia sem quebrar alguns ovos. Mídia que acabou sendo acusada de fascista pelos próprios manifestantes que dela dependiam. Muito confuso não? Até que começaram as mortes, gente que estava trabalhando acabou pagando o pato (não aquele do Corinthians, esse quem pagou foram os bambis, mas isso é outra história). Quando começaram as mortes, aí ninguém mais defendeu os tais "revolucionários".
Na república do amarelo piscante o pessoal resolveu também usar a internet pra marcar de fazer bagunça em shoppings. Ia lá toda a galera, presumidamente párias da sociedade capitalista procurando seu espaço, com suas roupas de grife, beijar, dar uma volta, e saquear lojas só de zoeira. 
Ah, mas era um local democrático! De quatro em quatro anos, eleições, onde se podia escolher entre candidatos que sabidamente não fariam nada de diferente, e assim que pegassem o gostinho pelo poder iriam se corromper. Sem falar nos deputados.... Os partidos desse peculiar país eram muito criativos! Lançavam como candidatos pessoas com algum destaque, sem o mínimo de experiência ou preparo, e os mesmos além de serem eleitos ainda levavam na esteira um monte de outros safados, com ficha criminal e tudo mais.
Mas, sejamos justos, possuía uma Justiça cega e eficiente! Alguns desses salafrários foram presos. E que espetáculo foi a prisão! De punhos cerrados, se julgando presos políticos, e com apoio dos correligionários. Precisaram pagar multas? Sem problemas, fizeram uma vaquinha pela tal internet, e logo logo arrecadaram o dinheiro. Dentro em breve estarão livres, ricos e mais uma vez serão eleitos ou ocuparão algum cargo de confiança.
Um belo dia todos irão perceber que, com o perdão da palavra, deu merda, não tem mais jeito.... mas antes vão torcer todos juntos pelo país no torneio esportivo. Que será realizado em estádios superfaturados e pagos com seus próprios impostos, enriquecendo uma galera ... E ainda irão pagar caríssimos ingressos! Eita povo amistoso!

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