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Saudades do Dia das Crianças


Dia das Crianças chegando, como sentia falta da época que saía com os pais para escolher o presente. Mas não tinha tempo para lamentações, teria um dia cheio pela frente. Desligou o alarme do celular, que o despertava todos os dias com o tema de Missão Impossível.
Mandou pra barriga um leite achocolatado e um bolo Pullman, e pôs-se a caminho da escola, levando os filhos e brincando de adivinhações:
- O pai da Paula tem cinco filhas, Pata, Péta, Pita, Póta e .... qual o nome da última filha?
Deixou os pequenos e tomou o rumo do consultório. Era pediatra, O trânsito estava ótimo, no rádio a trilha sonora de "Velozes e Furiosos" o convidava a se empolgar e fazer algumas manobras mais arrojadas ao volante. Mas logo lembrou dos radares e do limite de 50km/h. Melhor mudar a seleção musical para algo mais maduro e sereno. Escolheu ouvir novamente as canções de "Megamente".
Passou o dia atendendo mães desesperadas e seus filhos, inventou e interpretou várias histórias de monstros e heróis, fazendo as vozes enquanto pedia pros pimpolhos abrir a boca "bem grandão".
Deu uma escapadinha na hora do almoço para comprar os presentes dos filhos, que queriam pistolas Nerf. Comprou logo três, escolhendo minuciosamente a sua entre as que disparavam mais longe, queria armar uma emboscada contra eles, ao melhor estilo Sniper Americano. Aproveitou e foi naquela loja bacana comprar mais uns "colecionáveis" de heróis para seu consultório, que obviamente não deixaria nenhuma criança tocar, pra desespero de sua secretária.
Saiu mais cedo naquele dia, deixou as pistolas logo na porta de casa, e ficou de tocaia entre o sofá e a poltrona, Esperou as crianças abrirem os presentes para disparar uma série de tiros certeiros e mortais.
Sua esposa olha, e comenta que ele não passava de uma criança crescida. Ele fica em silêncio, imaginando como seria ter 1,85m, barba e ir pra escola entre aqueles nanicos todos. Gargalhou, e só ele entendeu o porquê.

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