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Psicologia e o suco de limão

Não foi fácil a vida de Juvenal nos últimos dias. Perdeu o emprego, perdeu a esposa, perdeu enfim a vontade de fazer qualquer coisa.
Depois de uma semana de total reclusão, sem atender telefone nem responder mensagens, recebeu a visita surpresa da mãe no apartamento de poucos cômodos, cujo chão ela encontrou forrado de roupas usadas, revistas pornô e um cheiro bastante estranho, cuja origem mostrou-se mais tarde ser um shawarma de aproximadamente duas semanas escondido debaixo do sofá.
Levou o filho de volta pra casa, obrigou-o a tomar banho, fazer a barba e escovar os dentes pra variar. Só não conseguiu fazê-lo tirar a bunda do quarto.
Aconselhada por Cleonilce, a vizinha, marcou uma sessão de terapia para o filho. Psicanalista jungiana, havia feito milagres com um sobrinho distante que havia tentado se matar consumindo uma dose maciça de jujubas.Só conseguiu arrastá-lo pra lá pois prometeu um milk shake de vaca preta do Bob´s quando saíssem.
Ir à terapia e tomar milkshake foram os único compromissos sociais de Juvenal por cerca de três meses. Até que num belo dia Juvenal resolveu, espontaneamente, descer e tomar café da manhã na padaria da esquina. Já era hora de encarar o mundo de frente.
Pediu um suco de limão, sem gelo e sem açúcar. Experimentou o suco, e notou que algo o incomodava. Lembrou das sessões de terapia, era preciso enxergar primeiramente o problema, e refletiu. Refletindo, concluiu que a razão se seu desconforto era o suco azedo. O primeiro passo estava dado.
Tomou mais um gole. Após identificado o problema, tinha uma decisão difícil a tomar. escolher. Escolher entre continuar com o suco azedo, ou fazer algo a respeito. Bebeu mais um pouco, fez careta, e decidiu que assim não podia permanecer.
Chamou o garçom, que trouxe um cesto com adoçante, açúcar cristal e açúcar orgânico. 
Tantas opções, foi demais para Juvenal, uma escolha assim logo cedo, logo em sua primeira saída para a rua. E se escolhesse errado? E se um pacote só não fosse suficiente? 
Deixou o resto do suco no copo, subiu correndo para o apartamento da mãe. Talvez tentasse de novo no próximo dia, afinal não podia precipitar nada, tudo a seu tempo.

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