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O dia que Lula matou um adolescente idealista

Ano de 1989. Estava no 3o colegial, estudando em um colégio de padres extremamente rigoroso, onde o ato de rebeldia mais comentado de nossa turma havia sido não subir para a aula depois de um bedel ter chamado um aluno de "neguinho". Nesse contexto, aconteceria a primeira eleição para presidente depois de muitos anos. O voto era opcional para cidadãos entre 16 e 18 anos. Eu, com 17 anos, fui obviamente tirar meu título de eleitor. Ainda era idealista, achando que podia mudar o mundo, todos esses clichês. E votei no Lula, um ex-operário que pregava o socialismo, a igualdade de classes. Pertencente ao PT, partido fundado por trabalhadores e intelectuais, que se orgulhava de ser um partido diferente, ético. Fiz boca de urna, debatia política na escola, fui ser fiscal da contagem de votos.  A derrota para Collor, e as condições em que a mesma ocorreu, com o tal debate final e a suposta edição tendenciosa da TV, só reafirmaram minha simpatia por Lula e pelo PT. Três el...

Todo mundo tem seu outro lado

Já dizia o comercial do BlackBerry, todo mundo tem seu outro lado, aquele que não se vê no dia a dia. O meu outro lado é ser um trabalhador, todo dia no escritório... O meu lado "A" é esse abaixo:

São todos uns corruptos, menos nós mesmos

No trânsito, andamos pelo acostamento quando a estrada está lotada, oferecemos uma coisinha ao guarda para aliviar a multa, procuramos uma auto escola que dá um jeito naqueles pontos a mais na carteira...Cobramos dos motoristas uma taxa pra cuidar do carro deles na rua... Compramos produtos piratas, damos um jeito de sonegar um imposto ou outro, fazemos um gato pra ver TV a cabo, ou pagamos o instalador pra puxar aquele ponto extra esperto... Damos uma caixinha pro garçom daquela festinha nos atender de forma, digamos, mais atenciosa. Se não temos reserva no restaurante, chamamos o maitre de lado para oferecer um cafezinho... Em nossas construções, pagamos ao fiscal para fazer vista grossa praquele andar irregular, aquele puxadinho... Se somos empresários de grandes empreiteiras, contribuímos com as campanhas de todos os candidatos, para depois poder cobrar algum tipo de favorecimento... Desmatamos e depois queremos anistia. Se nos pegarem, não custa nada chamar o cara do I...

Top Sundae: onde a Neurociência encontra a Economia

Nossos antepassados passavam por maus bocados para conseguir o que comer. Vivendo lá nas cavernas, sair pra caçar era sempre uma aventura de onde nem sempre se voltava com vida, e não havia lá muitos vegetais para serem colhidos. Nesse contexto, quando se conseguia caçar um apetitoso e gordurento animal, a estratégia era comer até não poder mais. Os magrinhos que possuíam o gene da saciedade rápida já haviam sido deixados de lado pela seleção natural, não era vantagem comer só um bocadinho, dado que nunca se sabia quando viria a próxima refeição. E como na época não havia freezer, microondas e muito menos tupperware, o esquema era comer, comer e comer. Nosso cérebro mandava o sinal: "Comam mais!", e o corpo guardava o excesso na forma de gordura, pros tempos ruins que poderiam vir. E dessa forma, evoluímos. As eras foram passando, a alimentação deixou de ser tão crítica. Mas nosso cérebro continuo assim, mandando comermos mais e mais gordura. Quando o McDonald...

Breve Diálogo pra Sempre

- Vou embora, tchau! - Espera, te acompanho até seu carro. - Tá bom, obrigada. Ele há tempo já tinha gostado dela, chamado ela pra sair. Ela, comprometida, não ia rolar. Chegaram ao carro, ela tentou beijá-lo umas duas vezes antes dele perceber. E foi o primeiro beijo dele. Dias depois, na porta da biblioteca: - Eu te amo. - Você é louco! Muitos anos depois, ele a ama mais que nunca. Ela já não acha ele louco.

Quadro Décadas: Uma Retrospectiva Esportiva

Ao chegar aos quarenta anos de idade, muita coisa passa pela nossa cabeça, vemos o quanto a vida passa rápido, e coisa e tal ... E a gente começa a tentar se lembrar do que estava fazendo quando fizemos 10, 20, 30 anos. Sendo assim, segue minha sensacional retrospectiva esportiva dos anos em que eu fiz uma, duas e três décadas de aniversário. 1982. Eu tinha 10 anos, estudava na 4a série do Colegio Agostiniano São José, meu irmão mais novo acabara de nascer. Definitivamente, esse foi o ano da Copa do Mundo da Espanha! Por todo o bairro, as ruas ficaram pintadas com as cores do Brasil, com o Laranjito, mascote da Copa. Em minha rua colocamos bandeirinhas verde e amarelas. Foi a Copa da melhor seleção brasileira que já vi jogar, a única que sei a escalação até hoje (Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Cerezo, Falcão, Socrates e Zico; Serginho Chulapa e Eder). O resultado todos sabem, foi aquela tristeza, a tragédia do Sarriá. Mas também foi a Copa do álbum ...

Porque médicos precisam ser bons em estatística

Entre tantas disciplinas de Anotomia, Fisiologia, etc. e tal, está lá na grade horária dos cursos de medicina a Estatística. Nos cursos de pós-graduação, tome mais números e estatísticas para os futuros médicos. Para alguns essa necessidade deve parecer óbvia, afinal muitos dos avanços da Medicina, novos medicamentos, são testados e seu sucesso determinado justamente por métodos estatísticos. Mas além disso, o conhecimento da Estatística pode fazer a diferença entre dar ou não uma péssima notícia a um paciente na hora do resultado de um exame. Em cartaz, a Probabilidade Condicional. Vamos supor que o Sr. José começa a emagrecer rápido, fica doente, e no hospital mandam ele fazer um teste de HIV. O Sr. José é um homem heterossexual, de 69 anos, morador do Ceará. Ao buscar o exame, o Sr. José é informado que seu resultado deu positivo, e que a probabilidade de um falso positivo é de 0,1%. Conclusão do médico: O Sr. José tem probabilidade de 99,9% de estar infectado.Certo???? Não,...