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Porque médicos precisam ser bons em estatística



Entre tantas disciplinas de Anotomia, Fisiologia, etc. e tal, está lá na grade horária dos cursos de medicina a Estatística. Nos cursos de pós-graduação, tome mais números e estatísticas para os futuros médicos. Para alguns essa necessidade deve parecer óbvia, afinal muitos dos avanços da Medicina, novos medicamentos, são testados e seu sucesso determinado justamente por métodos estatísticos.
Mas além disso, o conhecimento da Estatística pode fazer a diferença entre dar ou não uma péssima notícia a um paciente na hora do resultado de um exame. Em cartaz, a Probabilidade Condicional.
Vamos supor que o Sr. José começa a emagrecer rápido, fica doente, e no hospital mandam ele fazer um teste de HIV. O Sr. José é um homem heterossexual, de 69 anos, morador do Ceará. Ao buscar o exame, o Sr. José é informado que seu resultado deu positivo, e que a probabilidade de um falso positivo é de 0,1%. Conclusão do médico: O Sr. José tem probabilidade de 99,9% de estar infectado.Certo???? Não, errado!
Definindo-se primeiro o espaço amostral: Para homens com o perfil do Sr. José, 4 entre cada 100.000 está infectado (Revista Brasileira de Epidemiologia). 
Desses 100.000, se todos fizerem o exame, 4 serão realmente positivos, e outros 100 serão falso-positivos(100.000 x 0.1 %). Logo, entre 100.000 homens, teremos 104 resultados positivos, sendo 4 verdadeiros e 100 falsos.
Então, a probabilidade do Sr. José estar doente, dado que ele é um homem heterossexual de 69 anos morador do Ceará, é de 4/104, que é igual a 3,8%. Ou seja, é muito mais fácil o teste estar errado do que o Sr. José estar realmente doente.

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