Pular para o conteúdo principal

Como escrever uma revista masculina



Revistas masculinas. Não aquelas tradicionais, para homens ultrapassados. Tipo revistas de carros, e com mulheres nuas na capa. Estou falando de revistas para o homem moderno, aquele que se preocupa com a aparência, com as roupas. Que fica horas arrumando o cabelo para que ele pareça desarrumado. Aquele belo espécime que faz uma série de bíceps na academia e fica se admirando na frente do espelho.
Para esse tipo de macho, vou escrever minha própria revista masculina. Será mais ou menos assim:

  • Capa - duas palavras: abdome malhado. Um saradão qualquer, nem precisa mostrar o rosto, mas minha capa tem que ter um abdome malhado, com a chamada pra matéria principal. "Como chapar a barriga em 3 meses, comendo de tudo". Não importa se o cara em 80 ou 150 quilos, seguindo a série de 5 minutos diários sugerida, vai conseguir tirar as manchas mais difíceis da roupa na própria barriga. E todo mês a capa será basicamente a mesma. Todo mês.
  • Cuidados pessoais - uma seleção dos melhores hidratantes, esfoliantes e cremes de barbear para a pele sensível do homem do século 21. Importados, com nomes franceses. Uma hora diária do homem cuidando de seu próprio bem-estar.
  • Carreira - dicas que darão aquele "something extra" para você tornar-se seu próprio chefe, virar gestor, ou ainda para te fazer trabalhar com aquilo que ama. Ilustrado com fotos de camaradas sorrindo, em seus ternos bem alinhados, olhando números em planilhas Excel.
  • Sexo - Pegada. O tema é esse, dicas para ter a tal pegada. Porque mulheres adoram homens com pegada, seja lá o que isso seja. E obviamente, dicas de exercícios e alimentos para te fazer um animal na cama. Fotos de mulheres com rostos lânguidos de prazer.
  • Colunista mulher - minha revista terá uma colunista danadinha do sexo oposto dando dicas aos garotões sobre o que fazer no primeiro encontro, sinais de que ela não está a fins, e obviamente, como ter a pegada. Tudo isso supondo que o leitor curta o sexo oposto.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O consumo de sorvete e os afogamentos

Muito cuidado precisa ser tomado ao se analisar pesquisas e manchetes de jornais que associam alguma coisa a outra. Explico-me: quando lemos na internet que, por exemplo, comer vegetais faz a gente viver mais, é preciso ser crítico ao entender como se chegou no resultado, ou se apenas estão querendo chamar sua atenção com a manchete (como eu tentei fazer, inclusive). Quando estudamos duas variáveis, e percebemos que o movimento de uma acompanha o da outra, diz-se que as variáveis são correlacionadas. Por exemplo, em dias de maior número de afogamentos nas praias os vendedores de picolés também faturam mais. Isso quer dizer que sorvetes podem fazer você se afogar? Ou que as pessoas que estão acompanhando o resgate se entretém tomando um picolé? Para esse exemplo, é fácil perceber que em dias quentes tem mais gente nas praias, que tomam mais sorvete, e que também infelizmente acabam se afogando mais. Mas tomem a notícia abaixo: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/ma...

Um ano

  Um ano se passou, um ano que meu pai se foi. Um ano que tenho que aprender a conviver com o luto, um novo sentimento que vem me acompanhado desde então. Com a raiva lido bem, já era minha companheira há algum tempo, na verdade até me ajuda vez ou outra. Agora ela ganhou um companheiro. Um ano desde que caiu a ficha que estou por conta própria pra resolver meus próprios BOs. Não teria condições de escrever sobre minha mãe, ela é tudo, ela nos criou. Mas pra nós, nascidos nos anos 70, pai era aquele que trazia o dinheiro pra casa, que resolvia todos os problemas, ou pelo menos os encaminhava. Mesmo já sendo um adulto funcional há muito tempo, quando a gente perde o pai parece que nos damos conta que é isso, vai que é sua. Um ano de sonhos e pesadelos recorrentes com ele, alguns com ele sorrindo e saudável, outros nem tão floridos. Um ano que minha relação com seres humanos mudou mais ainda, no sentido de esperar menos ou nada do próximo, com a óbvia exceção de minha família. Afinal...

Você acredita em coincidências?

  Será que alguém ainda lê um texto com mais de um parágrafo? Por via das dúvidas, escrevo pra mim mesmo.  Primeiro parênteses: A Lei dos Grandes Números, sempre ela. Uma possível interpretação para a mesma é que, um dado fato que talvez possamos entender como coincidência, ou um sinal, na verdade nada mais é que a combinação de milhares ou milhões de observações de eventos, alguma hora iria acontecer. Deixo aqui mal explicado de propósito, pra chegar logo no tema.  Segundo parênteses: na minha vida toda, sempre que ouvi "The Sounds of Silence", da dupla Simon & Garfunkel, era tomado por um sentimento grande de tristeza. A primeira memória que tenho dessa música é ver meu pai assistindo um show deles na TV, em um sábado ou domingo de manhã. Sempre associei essa música a meu pai indo embora deste planeta, sempre. Final dos parênteses. No dia que meu pai faleceu, coube a mim ir buscar a roupa para trocá-lo, enquanto meu irmão cuidava da liberação do corpo. Não consigo i...