Pular para o conteúdo principal

Saia já da cama, você precisa ganhar dinheiro!

Wake up, you need to maek money - Música do Twenty One Pilots


Quando eu era pequeno, caía muito, jogando bola ou andando de bicicleta. Estar de joelhos ralados era meu estado natural. Quando casar sara, é o que sempre ouvia.
A escolha do presente de Natal podia ser um dilema de tirar o sono. Preterir um brinquedo em relação a outro faria com que o rejeitado só poderia ser escolhido novamente dali a um ano.
Na infância, reclamava de ir para a escola e fazer lição de casa. Não via a hora de virar adulto para não precisar mais ficar fazendo provas e recebendo notas.
Na época do vestibular, não existia dúvida existencial mais cruel do que escolher a carreira, Seria uma decisão que teria de levar pelo resto da vida, pensava eu.
Não via a hora de fazer 18 anos e poder dirigir e votar.
Agora que já casei, os ralados no joelho sararam. Só que os novos machucados demoram muito mais tempo para cicatrizar.
Percebi que no trabalho não existe dia do brinquedo, recreio, campeonatos internos, festinhas de aniversário dos colegas. As horas diárias na labuta nos fazem sentir saudades das provas.
As escolhas são muito mais difíceis, pois envolvem muito mais pessoas que você mesmo, e as consequências são muito mais complicadas do que esperar um ano por um novo brinquedo, ou ter que prestar vestibular de novo.
E dirigir três ou quatro horas por dia não se mostrou tão divertido assim. Votar, nos tempos de hoje, em quem?


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O consumo de sorvete e os afogamentos

Muito cuidado precisa ser tomado ao se analisar pesquisas e manchetes de jornais que associam alguma coisa a outra. Explico-me: quando lemos na internet que, por exemplo, comer vegetais faz a gente viver mais, é preciso ser crítico ao entender como se chegou no resultado, ou se apenas estão querendo chamar sua atenção com a manchete (como eu tentei fazer, inclusive). Quando estudamos duas variáveis, e percebemos que o movimento de uma acompanha o da outra, diz-se que as variáveis são correlacionadas. Por exemplo, em dias de maior número de afogamentos nas praias os vendedores de picolés também faturam mais. Isso quer dizer que sorvetes podem fazer você se afogar? Ou que as pessoas que estão acompanhando o resgate se entretém tomando um picolé? Para esse exemplo, é fácil perceber que em dias quentes tem mais gente nas praias, que tomam mais sorvete, e que também infelizmente acabam se afogando mais. Mas tomem a notícia abaixo: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/ma...

Um ano

  Um ano se passou, um ano que meu pai se foi. Um ano que tenho que aprender a conviver com o luto, um novo sentimento que vem me acompanhado desde então. Com a raiva lido bem, já era minha companheira há algum tempo, na verdade até me ajuda vez ou outra. Agora ela ganhou um companheiro. Um ano desde que caiu a ficha que estou por conta própria pra resolver meus próprios BOs. Não teria condições de escrever sobre minha mãe, ela é tudo, ela nos criou. Mas pra nós, nascidos nos anos 70, pai era aquele que trazia o dinheiro pra casa, que resolvia todos os problemas, ou pelo menos os encaminhava. Mesmo já sendo um adulto funcional há muito tempo, quando a gente perde o pai parece que nos damos conta que é isso, vai que é sua. Um ano de sonhos e pesadelos recorrentes com ele, alguns com ele sorrindo e saudável, outros nem tão floridos. Um ano que minha relação com seres humanos mudou mais ainda, no sentido de esperar menos ou nada do próximo, com a óbvia exceção de minha família. Afinal...

Você acredita em coincidências?

  Será que alguém ainda lê um texto com mais de um parágrafo? Por via das dúvidas, escrevo pra mim mesmo.  Primeiro parênteses: A Lei dos Grandes Números, sempre ela. Uma possível interpretação para a mesma é que, um dado fato que talvez possamos entender como coincidência, ou um sinal, na verdade nada mais é que a combinação de milhares ou milhões de observações de eventos, alguma hora iria acontecer. Deixo aqui mal explicado de propósito, pra chegar logo no tema.  Segundo parênteses: na minha vida toda, sempre que ouvi "The Sounds of Silence", da dupla Simon & Garfunkel, era tomado por um sentimento grande de tristeza. A primeira memória que tenho dessa música é ver meu pai assistindo um show deles na TV, em um sábado ou domingo de manhã. Sempre associei essa música a meu pai indo embora deste planeta, sempre. Final dos parênteses. No dia que meu pai faleceu, coube a mim ir buscar a roupa para trocá-lo, enquanto meu irmão cuidava da liberação do corpo. Não consigo i...