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Se não fosse o Roger Ramjet...


Se não fosse minha mãe deixar eu sair da cama quando eu tinha 4 anos e meu irmão de 2 anos dormia...
Se não fossem os desenhos do Roger Ramjet, Vira Lata e da Cobrinha Azul...
Se não fosse o dia que não fui tomar lanche no intervalo da escola nova, porque não sabia que podia...
Se não fossem as viagens para a chácara no LeBaron, e as pescarias que eu não gostava, a piscina e o campinho pra jogar bola...os churrascos feitos num buraco na terra, o refrigerante no laguinho pra esfriar...
Se não fossem os jogos de futebol na rua, os joelhos eternamente ralados, as bolas furadas nas lanças dos portões...
Se não fossem as pipas que eu não sabia fazer, que ficavam tortas e puxando para um lado...
A minha Caloi Extra Light que me dava uma vantagem quase injusta nas corridas de bicicleta, os tombos e topadas da canela com os pedais...
Aquela bola de futsal que meu pai me deu, quando futsal se jogava com bolas duras como pedra...
Se não fosse o Mundial de Futebol de Salão contra o Paraguai, o jogo de vôlei contra a União Soviética no Maracanã chovendo...
Se não fosse aquela vez que aquele professor de Matemática me colocou pra fora da sala na 6a série, e não contei pra ninguém...
Ou o professor de Português no 1o colegial que era bem velhinho e uma vez me disse que eu tinha cara de quem jogava pedra na janela do vizinho...
Se não fossem as aulas de Educação Física dos professores Ademir e Zé Milton...
Se não fossem os jogos de sueca com o Gui e o Tá, as partidas de Super Trunfo, ou de War que nunca acabavam...
Se não fosse o Hotbit com 256 cores, três canais de som, as idas à Electron no metrô Santana pra comprar jogos...
Se não fosse a Caverna do Dragão, Twin Peaks e Anos Incríveis, que eu via com meu irmão mais novo...

Se não fosse nada disso, não seria eu.

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