Pular para o conteúdo principal

Vou sentir sua falta...


Nunca esperei que fosse durar tanto assim. Era pra ser algo efêmero, curto. Eu estava em um momento de explorar coisas novas, outros horizontes, talvez sombrios, mas certamente interessantes, e você me pareceu a escolha certa.
Não escondemos um do outro que não queríamos nada pra sempre. Alguns meses, no máximo. Eu te contei o que queria, e você topou passar por terrenos acidentados só pra me mostrar o que havia lá fora. 
O começo foi conturbado, a explosão de um foguete. Intenso, pura nitroglicerina, você me tirou de órbita. E sua chegada, como foi cheia de tensão ! Chegamos a duvidar que daria certo, pra começo de conversa ! 
Mas deu ... estávamos sempre juntos, eu te perguntava como você estava, e você me mandava áudios, vídeos ... Até nudes .... danadinha você. Descobrimos que poderia haver vida em terreno tão estéril, afinal. 
Achei que esse fogo todo ia passar rápido, que eventualmente você simplesmente pararia de me procurar. Mas não, ano após ano, você estava lá, todo dia, me dando os mais calorosos bom dias que um lunático como eu poderia esperar.
É claro que passamos por muitos percalços, rochas e mais rochas em nosso caminho, mas superamos com braveza, elegância até. Quer dizer, você, muito mais que eu, nos levou para lugares onde nunca outro homem esteve. Sim, somos fãs de Star Trek.
Mas, o fim chega, para tudo. Nossa energia foi acabando, mesmo depois de inúmeras tentativas de conserto. Parece que nossa relação foi falhando, falhando, e agora, finalmente, sumiu. Você parou de me ligar, não respondeu meus recados, quis ficar em paz, sozinha.
Dói meu coração saber que você pode estar por aí, perdida, abandonada. Espero que consiga se encontrar, sei que algumas amigas suas estão por perto. Então, só posso te desejar boa sorte, te amo, e só quero seu bem. Vou sentir saudades.

Opportunity, obrigado por tudo ! 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O consumo de sorvete e os afogamentos

Muito cuidado precisa ser tomado ao se analisar pesquisas e manchetes de jornais que associam alguma coisa a outra. Explico-me: quando lemos na internet que, por exemplo, comer vegetais faz a gente viver mais, é preciso ser crítico ao entender como se chegou no resultado, ou se apenas estão querendo chamar sua atenção com a manchete (como eu tentei fazer, inclusive). Quando estudamos duas variáveis, e percebemos que o movimento de uma acompanha o da outra, diz-se que as variáveis são correlacionadas. Por exemplo, em dias de maior número de afogamentos nas praias os vendedores de picolés também faturam mais. Isso quer dizer que sorvetes podem fazer você se afogar? Ou que as pessoas que estão acompanhando o resgate se entretém tomando um picolé? Para esse exemplo, é fácil perceber que em dias quentes tem mais gente nas praias, que tomam mais sorvete, e que também infelizmente acabam se afogando mais. Mas tomem a notícia abaixo: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/ma...

Um ano

  Um ano se passou, um ano que meu pai se foi. Um ano que tenho que aprender a conviver com o luto, um novo sentimento que vem me acompanhado desde então. Com a raiva lido bem, já era minha companheira há algum tempo, na verdade até me ajuda vez ou outra. Agora ela ganhou um companheiro. Um ano desde que caiu a ficha que estou por conta própria pra resolver meus próprios BOs. Não teria condições de escrever sobre minha mãe, ela é tudo, ela nos criou. Mas pra nós, nascidos nos anos 70, pai era aquele que trazia o dinheiro pra casa, que resolvia todos os problemas, ou pelo menos os encaminhava. Mesmo já sendo um adulto funcional há muito tempo, quando a gente perde o pai parece que nos damos conta que é isso, vai que é sua. Um ano de sonhos e pesadelos recorrentes com ele, alguns com ele sorrindo e saudável, outros nem tão floridos. Um ano que minha relação com seres humanos mudou mais ainda, no sentido de esperar menos ou nada do próximo, com a óbvia exceção de minha família. Afinal...

Você acredita em coincidências?

  Será que alguém ainda lê um texto com mais de um parágrafo? Por via das dúvidas, escrevo pra mim mesmo.  Primeiro parênteses: A Lei dos Grandes Números, sempre ela. Uma possível interpretação para a mesma é que, um dado fato que talvez possamos entender como coincidência, ou um sinal, na verdade nada mais é que a combinação de milhares ou milhões de observações de eventos, alguma hora iria acontecer. Deixo aqui mal explicado de propósito, pra chegar logo no tema.  Segundo parênteses: na minha vida toda, sempre que ouvi "The Sounds of Silence", da dupla Simon & Garfunkel, era tomado por um sentimento grande de tristeza. A primeira memória que tenho dessa música é ver meu pai assistindo um show deles na TV, em um sábado ou domingo de manhã. Sempre associei essa música a meu pai indo embora deste planeta, sempre. Final dos parênteses. No dia que meu pai faleceu, coube a mim ir buscar a roupa para trocá-lo, enquanto meu irmão cuidava da liberação do corpo. Não consigo i...