Pular para o conteúdo principal

Raiva


Tem dias que você não quer saber de bons modos, de falar bom dia a todos, de dar passagem no trânsito para quem quer mudar de faixa.
Que você não quer saber de auto-ajuda, que se alguém te pedir calma você fica mais irritado ainda, que você quer socar quem te fala que tem que pensar positivo, que assim só coisas boas virão.
Saber que se tem algo que te incomoda, então tem que fazer algo a respeito, traçar um plano de longo prazo... mas naquele dia, só naquele dia, você preferia mesmo resolver tudo na porrada, na ignorância, mesmo que seja para se arrepender depois.
Tem vontade de mandar calar a boca todos aqueles que têm aquele papinho falso, hipócrita. Aqueles que apenas fingem se importar com você, ou com qualquer coisa que seja. Quer maldizer a vida, suas escolhas, os acasos que nunca parecem bons o suficiente.
Você só quer ficar o dia inteiro em seu mundo, com os fones de ouvido ligados no máximo, só as músicas mais nervosas. Olhar todos com cara feia, pra ninguém se aproximar fingindo ser amigão antes de pedir alguma coisa. Ligar o foda-se, deixar para se importar apenas com o que importa.

Vez ou outra precisamos deixar os demônios sair. Mostrar que Michael Douglas até que pegou leve em seu Dia de Fúria,

Só aquele dia, pra no seguinte voltar ao normal, sorrir e manter as convenções sociais, que no fim das contas, são mesmo necessárias. Os outros não tem culpa de suas raivas, dos demônios que você carrega aí dentro. Só você mesmo. Ou como diria aquela música.... despite of my rage, I´m still just a rat in a cage.

Mas ninguém consegue segurar a onda em cem por cento do tempo. Ninguém.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O consumo de sorvete e os afogamentos

Muito cuidado precisa ser tomado ao se analisar pesquisas e manchetes de jornais que associam alguma coisa a outra. Explico-me: quando lemos na internet que, por exemplo, comer vegetais faz a gente viver mais, é preciso ser crítico ao entender como se chegou no resultado, ou se apenas estão querendo chamar sua atenção com a manchete (como eu tentei fazer, inclusive). Quando estudamos duas variáveis, e percebemos que o movimento de uma acompanha o da outra, diz-se que as variáveis são correlacionadas. Por exemplo, em dias de maior número de afogamentos nas praias os vendedores de picolés também faturam mais. Isso quer dizer que sorvetes podem fazer você se afogar? Ou que as pessoas que estão acompanhando o resgate se entretém tomando um picolé? Para esse exemplo, é fácil perceber que em dias quentes tem mais gente nas praias, que tomam mais sorvete, e que também infelizmente acabam se afogando mais. Mas tomem a notícia abaixo: http://www.minhavida.com.br/bem-estar/ma...

Um ano

  Um ano se passou, um ano que meu pai se foi. Um ano que tenho que aprender a conviver com o luto, um novo sentimento que vem me acompanhado desde então. Com a raiva lido bem, já era minha companheira há algum tempo, na verdade até me ajuda vez ou outra. Agora ela ganhou um companheiro. Um ano desde que caiu a ficha que estou por conta própria pra resolver meus próprios BOs. Não teria condições de escrever sobre minha mãe, ela é tudo, ela nos criou. Mas pra nós, nascidos nos anos 70, pai era aquele que trazia o dinheiro pra casa, que resolvia todos os problemas, ou pelo menos os encaminhava. Mesmo já sendo um adulto funcional há muito tempo, quando a gente perde o pai parece que nos damos conta que é isso, vai que é sua. Um ano de sonhos e pesadelos recorrentes com ele, alguns com ele sorrindo e saudável, outros nem tão floridos. Um ano que minha relação com seres humanos mudou mais ainda, no sentido de esperar menos ou nada do próximo, com a óbvia exceção de minha família. Afinal...

Você acredita em coincidências?

  Será que alguém ainda lê um texto com mais de um parágrafo? Por via das dúvidas, escrevo pra mim mesmo.  Primeiro parênteses: A Lei dos Grandes Números, sempre ela. Uma possível interpretação para a mesma é que, um dado fato que talvez possamos entender como coincidência, ou um sinal, na verdade nada mais é que a combinação de milhares ou milhões de observações de eventos, alguma hora iria acontecer. Deixo aqui mal explicado de propósito, pra chegar logo no tema.  Segundo parênteses: na minha vida toda, sempre que ouvi "The Sounds of Silence", da dupla Simon & Garfunkel, era tomado por um sentimento grande de tristeza. A primeira memória que tenho dessa música é ver meu pai assistindo um show deles na TV, em um sábado ou domingo de manhã. Sempre associei essa música a meu pai indo embora deste planeta, sempre. Final dos parênteses. No dia que meu pai faleceu, coube a mim ir buscar a roupa para trocá-lo, enquanto meu irmão cuidava da liberação do corpo. Não consigo i...