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Stephen Hawking não morreu

Stephen Hawking não morreu. Ele simplesmente se cansou de ficar imóvel naquela cadeira de rodas high tech , e resolveu ir curtir a vida. Fazia já um tempo que ele tinha descoberto como viajar pelos buracos de minhoca, aqueles mesmo que em teoria nos fariam dobrar o espaço-tempo. Foi pro futuro, transportou sua mente para um corpo novo em folha, e resolveu que iria a partir daquele momento treinar para fazer triatlo, um Ironman talvez. Entrou no crossfit , e se tornou o novo guru dos suplementos alimentares, fez comerciais para a Polishop e tudo mais. O velho Stephen não morreu. Só enjoou de ser o gênio de plantão. Ser o nerd do planeta pode demandar bastante da gente. Steph, como gostava de ser chamado, resolveu zarpar para um universo paralelo onde ele tinha 2,00m de altura, saradão e boa pinta, capitão do time de futebol americano da faculdade. Saiu com todas as garotas que teve chance, foi jogar na liga profissional, onde acumulou punições por mau comportamento, e dólare...

O sorriso mais triste

Vovô Luke era uma figura e tanto. Lá pela casa dos setenta e tantos anos, quase oitenta, mantinha uma vida de dar inveja a muito garotão de sessenta. Tinha acumulado o suficiente para viver uma aposentadoria tranquila em seu rancho em Kansas. Passava o dia cuidando dos bichos e da pequena horta que cultivava, sem o menor jeito para a coisa. Era a maior horta de plantas mortas da região. Um de seus passatempos prediletos era dar conselhos e contar estórias nada politicamente corretas para seus dois netos, já adolescentes. Frequentemente os netos passavam dias por lá, só pra ver as moças indo toda arrumadas para a escola dominical, na capela do reverendo McArthur, e pra ouvir seu avô meio maluco contar o que fazia na idade deles. Luke era um senhor com o físico bem em forma para sua idade, e despertava olhares cobiçosos das senhoras nos bailes beneficentes da região, onde era presença mais que constante e especial. Havia perdido sua esposa anos atrás, de uma terrível doença, e de...

O dia que o Skylab caiu

O ano foi 1979 ... Não, eu não lembrava exatamente da data, só descobri agora há pouco, quando fui pesquisar no Google. Mas o pavor .... este sim, foi real. Para quem é muito jovem, e não viveu este momento tão singular de minha infância, explico-me nos parágrafos a seguir. Lá pelos idos dos anos 70, não existia Internet, nem TV a cabo, blogs, canais do Youtube, Netflix. Existiam o bom e velho jornal impresso em papel (preto e branco, diga-se de passagem), as revistas, e o Jornal Nacional, com o Cid Moreira e o Sergio Chapelin. Além disso, a molecada gostava mesmo era de brincar na rua. Não tínhamos videogames de última geração, nem nada de bom pra assistir na TV. Então era o tempo inteiro fora de casa... Essa harmoniosa rotina foi quebrada quando, certo dia, aquela musiquinha terrível que ainda existe na Globo tocou, indicando que um boletim extraordinário do plantão do Jornal Nacional estava por vir. E a notícia não poderia ser pior: o Skylab estava reentrando na atmosfer...

Se a reunião do trabalho fosse pauta de programas esportivos

Nenhum assunto no Brasil rende mais pauta que a rodada do final de semana do futebol. Todos os dias da semana, "especialistas" irão discutir os resultados e bastidores da rodada, em programas de horas e horas de duração, em todos os canais de TV e rádio. Por conta disso, absolutamente tudo vira assunto, dos fatos mais "relevantes" (desculpem-me o excesso de aspas...) aos mais insignificantes. Dia desses, no meio de uma reunião não muito interessante, fiquei pensando: e se aquela reunião fosse analisada durante a semana pelo Neto, Galvão Bueno, Denilson, Caio Ribeiro, Casão... Polêmica: Dona Constança chega atrasada na reunião, e culpa o trânsito. Debatedores discutem sobre a condição de transporte da cidade, avaliam se seria melhor ela ter ido de ônibus ou metrô. Gráficos indicariam o tempo médio em cada opção. A mesa tática indicaria os quilômetros de trânsito em diversos horários do dia. Um mais polêmico se perguntaria porque a distinta senhora não s...

Verdades incontestáveis

Todo mundo é macho até ver uma barata voadora. Não existe qualquer resposta aceitável quando sua esposa/namorada se olha no espelho, apertando as dobras cutâneas da cintura, e te pergunta: "Amor, você acha que estou gorda?" Melhor fingir um AVC ou ataque cardíaco. Ou até mesmo ter um. Só quem acredita nas frases "Mulher não curte tanquinho, curte dinheiro", "É dos carecas que elas gostam mais" e "Cabelo branco é charme" são respectivamente, homens gordos, carecas e grisalhos. Dependendo de quem as fala, pode haver uma distância incrível entre palavras e ações. Nada mais nojento que pessoas que pensem que as bolas do chefe são o corrimão para o sucesso. Jogar bem quando o time está ganhando e a torcida empurrando todo "craque" joga. Difícil é fazer o gol decisivo fora de casa. Postar no Facebook que ama a mãe é fácil, quero ver lavar uma pia cheia de louça pra deixar a progenitora descansar. "Vamos lá...

Imoral e ilegal

Quatro situações diferentes, conceitos semelhantes. Um político, já rico, querendo sempre mais. Negocia propinas com grandes empresas, prometendo facilidades em licitações públicas, financiamentos a perder de vista, a juros baixos ou inexistentes, tudo com o dinheiro dos contribuintes, tudo contra a lei. O político tem a certeza da impunidade, negará tudo, dirá que são calúnias. Ameaçará processar todos. Um policial carioca, que ganha mil reais por mês, e tem em seu cotidiano o desafio de combater bandidos, armados com fuzis e lança-foguetes. Ele, com sua pistola .45, para a qual inclusive tem que comprar munição com o próprio dinheiro Um traficante oferece uma mesada para ele facilitar sua vida, mesada que pagaria a escola das crianças. Se o policial for pego, tem certeza que vai parar na cadeia, ou até ser morto. Um advogado, com uma carreira jurídica extensa, consegue o cargo de juiz. O auxílio moradia fazia parte do pacote do combinado desde o início, fazia parte d...

Nossa vida é um livro de História

Nossa vida é um livro de História. Um livro diferente, que vai se escrevendo sozinho, conforme a gente vai tomando as decisões, ou conforme a vida as toma por nós. Um livro de papel, encadernado, tipo aqueles enciclopédias antigas, cada tomo marcando o período, ou dividido por ordem alfabética dos verbetes, vai do gosto do freguês. Nada de Kindle, tablets ou pdfs,  Cada um com seu gênero predileto, que podem até ir mudando conforme passa o tempo. Romance, drama, barroco, arcadismo. Carpe diem . Ficção, não ficção. Um livro de contos, pequenos, com começo meio e fim em algumas páginas, a cada dia um texto novo. Ou um romance tipo Gabriel Garcia Marquez, capítulos gigantescos, tão deliciosos que não dá vontade de parar de ler. Tantas vezes ficamos empacados em alguma página. Páginas bacanas que a gente não quer que acabem nunca, ou complicadas que a gente esquece como virá-las, ou tem medo do que vem pela frente.  E assim que as viramos, ou que isso é feito por nós, ...