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Seu voto não é consciente, ou democracia não é o governo do povo

Mais uma eleição se passou.... pelo menos o primeiro turno. E nesta, mais ainda que nas mais recentes, muito pouco se falou sobre propostas de governo, de onde vai sair o dinheiro para as promessas, de quem vai se precisar de apoio para governar.  Mas isso não é por acaso. O homem ou mulher padrão, independente do nível social ou da educação, não vota mesmo analisando esses aspectos. O que ocorre é o seguinte: você simpatiza com algum candidato, seja porque ele é parecido com você, seja porque ele conta boas histórias, que fazem sentido, porque ele se mostra seguro e bem ensaiado, ou qualquer motivo desses. Aí seu cérebro, mais especificamente o lado esquerdo, se põe pra funcionar e buscar uma justificativa para sua escolha. E você até se dá bem,   explicando que votou nele por sua proposta da educação, saúde, etc. Mas na verdade, sua escolha  foi inconsciente, as explicações vieram só depois. E sim, os políticos já sabem disso... E investem pesado em marqueteiros ...

Macedando

Abre parênteses... O vovô Paulo tinha um cavalo chamado Macedo. Macedo era um cavalo muito bacana, mas tinha um pequeno defeito. Não podia ver outro passar correndo que queria competir (e ganhar) do ousado equino. Daí veio o verbo "macedar", que na linguagem local quer dizer se matar pra ganhar dos outros, independente  do esporte ou da atividade... Fecha parênteses... A pessoa vai então pra fisioterapia, 40 dias depois de operar o joelho. E lá encontra mais três infortunados que tiveram o mesmo problema que ele. Estão lá os três, dividindo experiências, trocando ideias sobre a cirurgia e recuperação. Alguns já depois de 3 meses de cirurgia... Mas ele não... ele vê os outros fazendo seus exercícios, e quer fazer mais... Quer alongar mais, fazer mais repetições, usar mais peso, dobrar mais a perna, No outro dia, aquela dor muscular.... pensa consigo mesmo, vou pegar mais leve. Mas lá estão os três de novo, então ele é obrigado a forçar tudo de novo. Macedando....

O dia mundial sem carro, na visão de um economista

Dia Mundial sem carros, um apelo para os motoristas deixarem os carros em casa e utilizar o transporte público. Em um cidade saturada como São Paulo, não precisa ser nenhum estudioso ou técnico para saber que não cabem mais carros, que logo a cidade pára de vez. Em tempos de campanha política, é interessante ver as propostas, pregando o investimento em transporte público, o pedágio urbano, o aerotrem. Mas do ponto de vista econômico, como seria resolvida a questão do transporte? Basta o transporte público? Ou é necessário um incentivo extra? Primeiramente, o óbvio: para que as pessoas deixem os carros em casa, é preciso ter opções. Em São Paulo, o metrô já passou da fase da saturação. Para quem acha que não, basta tentar pegar a linha vermelha até as 9:00 da manhã, ou dar uma olhada na Estação Sé entre as 17:00h e as 19:00h, chega a ser desumano. Dessa forma, antes de qualquer coisa deve-se dar opções para quem não tem ou prefere deixar o carro parado: linhas de metrô...

Quer dizer que estou muito velho?

Então você está querendo me dizer que estou muito velho, é isso? Que não vou conseguir voltar, que fulano e siclano que você conhecem tiverem isso e nunca mais conseguiram? Você, que não me conhece, vem dizer que eu não sou capaz? Que daqui a 6 meses vou te dar razão? Vou te contar o que vai acontecer de hoje até seis meses. Enquanto você estiver tomando seu café e fumando sem parar, estarei me cuidando. Enquanto estiver enchendo a pança na hora do almoço e reclamando que tem que ir andando até o restaurante, eu vou estar na academia. Enquanto estiver, de noite, enchendo a cara de cerveja e fumando mais ainda, vai me ver passar na rua correndo.  E daqui a seis meses, meu amigo, você vai continuar do jeito que é, sedentário. E eu vou estar mais velho sim. Mais velho, mais rápido, indo mais alto, sendo mais forte. Citius, Altius, Fortus. Meu caro, velho é você, de espírito. Eu ainda sou uma criança!

Seu Barbosa

Jesoino Barbosa, o Seu Barbosa, veio ser guarda da rua depois de cuidar um tempão da Nagib Izar, nossa eterna rival ( veja post aqui ). Até por conta disso, foi recebido com muita desconfiança. Ainda mais porque vivia falando bem do Junior, que tinha feito peneira no Corinthians. Com o tempo, foi conquistando nossa confiança... Era comentarista rotineiro de nossas pelejas na rua, plantava milho em seu terreno, tinha suas histórias sobre perseguição a bandidos (nas duas únicas vezes que houve algum assalto na rua, ninguém soube onde ele estava). Vivia falando dos arranhões que fez na mão por conta de uma caçada às onças no lixão, e sobre o dia em que o Pelé foi fazer teste no Corinthians, com suas "percatinhas"e nada mais, e como foi botado pra fora de lá.  Desconfio que um dos maiores desgostos da vida dele foi quando o futebol deixou de ser o esporte monopolista na rua, e passamos a jogar também taco e o "jogo da redinha" (fôlei). Quando o Gui ganhou o...

Banzo Olímpico

Acordou cedo, para trocar o filho e levá-lo para a escola. Assim que levantou, ligou a TV e não encontrou oito canais passando esportes. Não achou nem judô, nem boxe, nem taekwondo... Nada de natação, atletismo ou Gabão x Uzbequistão no badmington. Chegou no escritório, ávido sobre as notícias e o quadro de medalhas. Foi logo ligando a internet, para acompanhar tudo ao vivo, já pensando na loucura que seria mais uma semana trabalhando e assistindo as Olimpíadas ao mesmo tempo. Não achou nada. No almoço, não estava mais passando na TV do restaurante por quilo o vôlei nem o handebol. Ninguém reclamando do vento, da falta de apoio, ou dos cavalos nos pátios das casas. Não se imaginaria mais um atleta da natação ou da maratona, treinando na academia enquanto os outros estavam comendo e engordando. Nada mais de reuniões adiadas para ver a disputa de bronze do tiro com arco... Ou as reuniões inventadas para assistir o ciclismo de estrada. À noite, não encontrou as mesas redondas,...

Feliz Dia dos Pais!

Lembro-me, quando éramos novos, de esperar meu pai voltar do trabalho pra jogar bola no quintal com a gente. Ele tinha sido goleiro, e ficávamos tentando fazer gol nele.... Chegava cansado, não sei quantos empregos, e ainda achava disposição pra brincar com a gente. Quando a gente estava jogando bola na rua, ele ficava asssistindo, da janela de cima... Lá no fundo, tentava jogar melhor pra impressioná-lo. Trabalhava o dia todo, fazia plantões nos finais de semana, Natal, Ano Novo, pra poder dar pra gente tudo do melhor... presentes, roupas, comida, e principalmente, uma boa educação. Nas datas festivas, me levava na fábrica das bolas de capotão, não precisava mais que isso, era tudo que queria. Por educação, entenda-se boas escolas, curso de inglês, mas, principalmente, bons exemplos. Ele nos deu todas as "ferramentas"para sermos homens bem sucedidos, de bem.  Todos os outros meninos da rua achavam meu pai bacana, divertido. E como gostávamos disso, tínhamos orgu...