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A difícil arte de se criar uma playlist

Tudo começou com o rádio-relógio e um gravador antigo de fitas cassete. A gente ficava ouvindo a Rádio América, e gravando as músicas direto no gravador, com todos os sons ambientes inerentes ao processo. E tinha que prestar uma atenção danada pra não cortar a música, pegar desde o começo, e cortar o locutor no final. Depois vieram os 3 em 1da Gradiente, e a coisa toda ficou mais fácil. Bastava colocar lá o disco, ou deixar no rádio, e apertar o REC. Mas a montagem das fitas com as "Melhores do Fulano" ficou boa mesmo quando vieram os CDs, e consequentemente as locadoras de CDs. Aí era uma maravilha: alugavam-se vários CDs de sua banda predileta, comprava-se um fita TDK (se a banda fosse boa mesmo, valia o investimento em uma TDK preta), e aí era "só" ficar fazendo as contas pra ver quantas músicas cabiam em cada lado da fita, balancear os lados pra não deixar um lado muito legal e outro muito chato, montar a capinha bacana pra fita.Ainda hoje tenho uma fita...

Estimativas do PIB, previsão do tempo e os tocos que você leva na balada.

  Como diriam os americanos, first things first : Economia é uma ciência humana, e como tal, não existem fórmulas mágicas onde é só colocar alguns dados que sairão de lá, bonitinhos, quanto vai ser a taxa de juros no final do ano, quanto vai crescer o PIB, ou qual será o desemprego. Economistas, esses seres tão bons em explicar o que já aconteceu, usam modelos para tentar prever essas variáveis. E modelos tentam capturar a realidade,  usando o máximo de variáveis que se possam medir. Mas, como a Economia depende dos homens e de suas decisões políticas ou não, e como nós homens somos tudo menos racionais na hora de tomar decisões, tudo pode acontecer, como diria o clichê. Um resfriado do presidente da China, um tropicão do Obama jogando basquete, e pronto, já despencam as bolsas, sobe o dólar, essas coisas todas. Quando se prevê o PIB do fim do ano, por exemplo, só saber-se-á (olha a mesóclise rs) se o modelo está bom ou não no final do ano, e ajustes no modelo utilizado...

Na F1 o mundo dá voltas, nem sempre literalmente

Em 1998, GP da Australia, Mika Hakkinen e David Coultard corriam pela McLaren. Por um erro da equipe, Hakkinen entrou nos boxes sem a equipe estar preparada, o que lhe custou a primeira posição. Por vontade própria, segundo suas próprias palavras, Coultard cedeu a posição na pista para Haikkonen. Verdadeiras intenções à parte, vejam resposta do nosso querido Rubens Barrichello quando perguntado sobre a atitude de Coultard. A entrevista foi feita por Flavio Gomes, cujo blog está entre meus favoritos: Pergunta - E o Coulthard deixar o Mika ganhar? Barrichello  - Ridículo. Quem deveria ganhar era o Coulthard. Houve um erro de comunicação e o Mika entrou nos boxes. Azar dele. Não existe acordo como esse. Vale para a primeira curva. Depois seja o que Deus quiser. Esse tipo de coisa faz do esporte uma coisa feia. Apenas alguns anos mais tarde, na Austria em 2002 ... bom, acho que todos lembram rs...

Carne Vermelha e Câncer

  Notícia publicada hoje no site folha.com, com a seguinte chamada:  Risco de morte aumenta com consumo regular de carne vermelha Como eu já havia escrito em post anterior , é comum na imprensa usar-se títulos chamativos para pesquisas e estudos científicos que, na verdade, indicam apenas correlação entre os fatores estudados.  Esse caso da carne vermelha é outro exemplo. Acompanharam-se milhares de pessoas que comiam carne vermelha todos os dias, e foi verificado que esse grupo tem maior probabilidade de morrer de câncer e problemas no coração que a média da população. O fato é que, o que se mostrou foi apenas a correlação entre pessoas que comem carne vermelha e aumento no número de mortes por essas doenças, e não a causalidade. Pode ser que outros fatores desse grupo tenham causado a morte, outros tipos de comportamento que pessoas que comem carne vermelha possuem. Conjecturando, pode-se pensar que pessoas que comem carne vermelha todos os dias têm ...

Grandes momentos do esporte: Olito x Nagib

Pelos idos da década de 1980, a rivalidade era grande entre as ruas lá do bairro. O glorioso Olito tinha como rivais praticamente mortais a rua de cima, que era a Nagib; e a rua que ficava acima da Nagib, a temida Rua 14. Era praticamente um ato de traição alguém da rua fazer amizade ou andar com o povo das outras ruas, e ninguém ousava andar sozinho nas ruas inimigas. Nesse cenário, os "contras" assumiam contornos épicos, sempre uma batalha que ninguém queria perder. Em uma tarde de domingo qualquer, se não me engano um feriado de Ano Novo, aconteceu um dos maiores contras que se tem notícia. De um lado, a gloriosa esquadra do Olito, que vinha com Ricardo, Beto, Gui, Tá, Tigueis, Laércio, Cado, etc. , esse dia reforçados do Mauro, primo do Laércio, e do Marcelinho, que tinha acabado de se mudar para a rua e devia medir uns 30 cm a mais que todos os outros. Do outro lado, vinha a Nagib completíssima, com o Bagaço, que já tinha jogado na Portuguesa e que dizia a lenda ...

Livre Arbítrio?

Em um experimento na década de 1970, um cientista chamado Benjamin Libet fez um experimento bastante interessante sobre o funcionamento do cérebro humano. Nesse experimento, ele pedia a uma série de pessoas para executarem certos movimentos em intervalos periódicos determinados por um timer (mais detalhes aqui:  http://en.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Libet ). Ao mesmo tempo, ele ligou eletrodos nas cobaias para medir a atividade cerebral. O que ele acabou descobrindo foi deveras surpreendente: a área do cérebro responsável por atos inconscientes é ativada antes mesmo que haja o estímulo para atos conscientes. Ou seja, antes mesmo de ser estimulado para levantar um braço, por exemplo, o cérebro do cidadão já dava sinais inconscientes desse movimento. Quer dizer, se for levado ao pé da letra, fazemos o que fazemos não por vontade própria, e sim por algum ente exterior, ou algo do tipo. Segundo Libet, teríamos na verdade o "poder de veto" das decisões tomadas sabe...

A mística do #15

Lá pelos idos de 1982, o que eu gostava mesmo era de jogar bola na rua. A jornada esportiva começava às 8:00h, e só acabava quando minha mãe chamava pra jantar.   Justamente no ano da fatídica Copa do Mundo de 1982. A rua estava toda enfeitada com bandeirinhas verdes e amarelas, a vizinhança com o asfalto todo pintado com bandeiras do Brasil e Laranjitos. Definitivamente, o melhor time de futebol que eu vi jogando. Era um timão só com craques, cuja escalação me lembro até hoje: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior, Toninho Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates, Serginho Chulapa e Eder. De todos os eles, apenas um não respeitava a tradicional numeração de 1 a 11. Era Falcão, que jogava na Europa, no Roma, e tinha um estilo todo requintado de tratar da pelota.  E eu, moleque que era, achava o máximo esse número 15, coloquei na cabeça que ia falar pro pessoal fazer um uniforme do time da rua, e que eu ia ser o número 15.  O uniforme do time saiu anos depois,...